Uso da tecnologia é gol. Foto: divulgação.

A Copa vai deixar uma boa herança: exemplos de eficiência com o uso de tecnologia, como a bola com chip, câmeras de altíssima resolução para monitoramento dos campos e entornos, outras câmeras que seguem a bola e garantem precisão sobre a posição dela, além de belas imagens, sem perder nenhum lance. Tudo isso vai contribuir para a cultura de produtividade de que tanto precisamos para o Brasil voltar a crescer.

Isto porque, entre os desafios para o crescimento do país, o principal é o aumento da produtividade. Hoje, o Brasil ocupa o 54º lugar em uma lista de 60 países no Índice de Competitividade Mundial, segundo a escola suíça IMD, e o pior é que esta é a quarta queda seguida - há quatro anos ocupávamos a 38ª posição.

E como o exemplo da Copa pode ajudar? Bom, nela, regras, modelos, processos e tecnologias são usadas a favor da competição entre as equipes, com melhores resultados para cada uma, para todas, e para o torneio em si. Da avaliação deste cenário, é possível escalar um time de fatores que podem contribuir com a melhoria da competitividade brasileira:

- Redução da burocracia. A complexidade tributária do país faz com que milhões de pessoas deixem de trabalhar nas atividades-fim das empresas e, portanto, não ajudem a aumentar a produção. Além de consumir os escassos recursos humanos e aumentar o custo, isto gera mais erros, informalidade e retrabalhos reduzindo novamente a produtividade do país. Utilizar tecnologias que auxiliem no atendimento às exigências burocráticas é, com certeza, gol!

- Menores taxas de juros. Aqui, quem entra é uma redução de juros que incentivem o investimento na produção e no crescimento das empresas.

- Melhorias no sistema educacional.  Sem dúvida, a maior qualidade de ensino é o melhor atacante que o time da “Competitividade Nacional” pode escalar, tendo como colegas a ênfase na formação técnica e alinhamento da formação com as necessidades do mercado, permitindo grandes ganhos de eficiência.

- Melhor infraestrutura. Que time não precisa de boas bases para chegar à vitória? Um eficiente sistema de transporte tem de estar nesta base, pois ele reduzirá tempo de deslocamento e custo de frete, diminuirá riscos de acidente e aumentará a segurança energética e de comunicação. Com isso, o campo fica aberto para atração de novos investimentos e aumento da produtividade.

- Maior uso de tecnologia. Se até a bola de futebol ganhou tecnologia para melhorar os rendimentos em campo, não são as empresas que vão ficar de fora desta jogada. Diferente dos demais fatores que dependem de mudanças estruturais e prazos maiores, o maior uso de tecnologia é uma decisão que está sob controle do gestor de cada empresa. Cabe a ele decidir o lance: investir nisso permite gerar importantes ganhos de produtividade, pois assim como é claro que profissionais mais qualificados têm condições de produzir mais e melhor. Também é consenso que profissionais usando mais tecnologia, como melhores computadores e sistemas, vão produzir mais. 

E este é um sistema que se retroalimenta: com o maior uso de tecnologia, mais processos podem ser automatizados, gerando maior eficiência. Com melhores resultados, a empresa consegue investir em mais tecnologia e qualificação, ganhando ainda mais produtividade, e o estado da arte se estabelece quando a companhia consegue implementar a cultura da produtividade em todo o time – digo, em toda a organização.

E a estrela deste time, o maior aliado para que ele vença este desafio é... Ele mesmo, mais tecnologia.

Para concluir, dos fatores que influenciam diretamente na produtividade, a tecnologia é aquele sobre o qual temos maior controle. É nossa jogada mais controlada e mais certeira, pois pode ser adotada gradual e pontualmente para melhorar a organização como um todo.

Este é o caminho para crescer e ganhar o jogo, bola para frente!

*Robinson Oscar Klein é diretor de Mercado da CIGAM, presidente da Assespro-RS e do Ceti.