Thiago Lima, diretor de Operações na FCamara. Foto: Divulgação.

Você notou que atualmente não existem tantas vagas para gerentes de projetos?

Será que isso tem relação apenas com a péssima situação econômica do Brasil? Com certeza não e é isso que vou explicar nesse artigo.

Existe um fato que não podemos negar, o grande boom das startups veio para mudar muita coisa e uma delas é a hierarquia e o modo de funcionamento das empresas. Não é por acaso que as grandes empresas estão investindo e se aproximando cada vez mais das startups, que fazem mais com menos desde sua origem, pois elas são enxutas, ágeis e desburocratizadas.

Apresento agora os 4 principais motivos para o fenômeno atual de extinção de algumas profissões no mundo de TI e sua incrível relação com o boom das startups.

 

#1 Menos projetos grandes, mais projetos pequenos

Na crise, é natural ficarmos mais atentos com desperdícios e riscos. Isso provoca que as empresas evitem projetos grandes, pois os custos tendem a ser maiores e não existem margens para erro.

Mas a dúvida é, onde vão parar esses grandes projetos? Todo esse movimento acaba criando pequenos projetos, no qual, os riscos e os custos são menores, em contrapartida, nesse novo cenário, não se justifica um investimento em um perfil de gerente de projeto, pois isso pode inviabilizar o negócio.

Para reforçar ainda mais o primeiro motivo: Dados do CHAOS MANIFESTO 2013 revelam que em se tratando de grandes projetos (> U$ 1 milhão) temos: 10% de chances de sucesso e 38% de chances de fracasso. No entanto, em projetos menores (< U$ 1 milhão) temos: 76% de chances de sucesso e 4% de chances de fracasso.

 

#2 Times enxutos são mais ágeis, eficientes e custam menos

As startups tem ensinado e comprovado para as grandes empresas, que times enxutos, porém bem estruturados, e com métodos de Agile, Lean Startup, MVP, Design Thinking e etc, são extremamente poderosos e eficientes, além de claro custar menos.

Se olharmos os valores do manifesto ágil, que em novos projetos está sendo aplicado pela maioria:

Fica nítido que o cargo de gerente de projetos fica defasado nesse novo modelo, pois atualmente o cenário de maior aderência desse perfil é em projetos grandes (motivo 1), ou seja, com times maiores.

De fato, estamos na era dos times com autogestão e autonomia. Os novos times agora são responsáveis por apresentar soluções em vez de somente problemas, ou seja, o time deve sempre conduzir seu próprio destino, e não esperar ser conduzido.

 

#3 A entrega agora é de valor

Você já deve ter ouvido o termo valor agregado e isso praticamente muda o critério de sucesso de um projeto.

Nos modelos tradicionais, o critério de sucesso é definido como um alinhamento entre previsto e realizado das seguintes variáveis (tempo, investimento e escopo), sendo que, normalmente para atingir esse sucesso, sempre foi necessário um gerente de projetos na gestão adequada das variáveis.

Com os novos métodos como Design Thinking por exemplo, o foco agora está na experiência e no impacto das pessoas que interagem com o produto/projeto. Nesse novo modelo, o critério de sucesso de um projeto torna-se o valor agregado, ou seja, a experiência positiva e perceptível gerada aos usuários finais e clientes.

 

#4 As novas tendências chegaram

Tendências como DevOps, TI Bimodal, TI Disruptivo, já são realidade e isso muda o modo de como entendemos algumas profissões com funções muito específicas.

Um ótimo exemplo é o DevOps, que une funções de perfis de desenvolvimento e infraestrutura.

Isso é um movimento natural de mercado, que tenta o tempo todo reinventar-se, criando novas funções mais inteligentes, agregando mais habilidades através da interdisciplinaridade.

A ideia desse movimento é sempre gerar um resultado melhor através da união de diversas competências.

 

Conclusão

Por questões de sobrevivência, os bons profissionais, que exercem tais profissões que tendem a ficar extintas, vão se adaptar e evoluir outras disciplinas que não fazem parte da sua base.

O mais interessante, é que fazendo uma breve reflexão da minha carreira, eu vivo isso o tempo todo. Iniciei em uma carreira 100% técnica em desenvolvimento de software e no decorrer tive que me adaptar e aprender sobre gestão de pessoas, tarefas administrativas, vendas e etc.

O mercado de TI é extremamente dinâmico e quase não tem condições para profissionais que querem zona de conforto e acredito que essa é a provocação final. Desejo uma boa evolução e torço para que todos os profissionais consigam se adaptar a esses movimentos naturais de mercado.

Quem quiser saber mais sobre as novas metodologias, confira meu artigo - O guia básico da nova engenharia de software.

* Thiago Lima é diretor de Operações na FCamara e fundador das startups Hashtrack e Linkapi. Esse artigo foi publicado originalmente no Pulse.