Os testes de software, que têm por objetivo encontrar defeitos nos sistemas de informação, a fim de corrigi-los antes da entrega final, aos poucos começam a romper as barreiras culturais que ainda impedem sua adoção em larga escala no mundo corporativo.

Os motivos dessa melhora de percepção são muitos e um deles é que o teste de software agrega qualidade ao produto, antecipando a descoberta de falhas e incompatibilidades e reduzindo assim o custo do projeto. Existe ainda a questão da imagem da empresa perante seu público-alvo.

Certamente bancos, companhias de cartão de crédito, de telecomunicações ou e-commerce, por exemplo, sofreriam impactos gigantescos - não somente financeiros -se suas redes ou sistemas ficassem indisponíveis a seus clientes, mesmo que por alguns instantes.

Encontrar erros e defeitos em um sistema de informação passa a ser cada vez mais estratégico aos negócios. Uma vez que a companhia detecta esses erros, ela precisa eliminá-los e se prevenir para que eles não ocorram futuramente, obtendo indicadores de qualidade e performance na produção do software. É exatamente isso que o teste de software faz pela empresa e, felizmente, esses benefícios começam a ser enxergados pelo mercado corporativo.

Há, no entanto, uma questão crucial nessa discussão que ainda prejudica a disseminação da cultura do teste de software nas empresas: a criação e a administração do ambiente adequado para a realização dos testes.

Para explicar melhor esse ponto, vamos traçar um paralelo com uma pista de prova usada na indústria automobilística. Como testar itens como, por exemplo, aderência de pneus, gasto de combustível, segurança ou o impacto necessário para que o sistema de airbags seja acionado sem uma pista de prova em que se possa simular as condições que reflitam situações como chuva, pista molhada, velocidade, inclinação do terreno, colisão, etc? Em resumo, não se pode testar um carro sem criar uma pista de prova com as diversas condições que vão determinar o comportamento desse carro em situações normais e de adversidade.

Com o teste de software é a mesma coisa. Não se pode encontrar, eliminar e prevenir erros nos sistemas sem um ambiente adequado capaz de contemplar todas as condições que vão influenciar o comportamento do software.

Dando seqüencia ao paralelo com a pista de prova, com um ambiente adequado de teste de software é possível analisar aderência (ao mundo da produção), segurança (da informação e do acesso), rendimento, economia, estabilidade, desgaste e estresse - que vai determinar qual o volume de carga que o sistema suporta num dado instante - entre outros pontos.
 
Se não for dada a devida importância à "pista de prova" quando se fala em teste de software, esse mercado não vai evoluir satisfatoriamente. Muitas experiências negativas foram e ainda são registradas justamente porque o teste em si passa a ser a única preocupação da empresa, esquecendo-se de que o ambiente de teste é igualmente fundamental para que os objetivos sejam atingidos. Os testes, sejam de carros ou de softwares, só vão funcionar se forem tomadas todas as medidas para se criar e gerenciar a pista de prova perfeita.

* Roberto Murillo é sócio-diretor da RSI Informática.