A TAM comemorou em grande estilo sua entrada na Star Alliance, aliança composta por vinte e sete empresas aéreas. Fundada em 1997, teve como primeiros parceiros Air Canada, Lufthansa, Scandinavian Airlines System (SAS), Thai Airways International e United Airlines.

O motivo de tamanha cobiça pode ser expresso em números. Mais de mil aeroportos, quatro mil aeronaves e meio bilhão de passageiros transportados anualmente, atendendo quase duas centenas de países. Empresas concorrentes fundaram a One World e Sky Team, as quais em conjunto têm aproximadamente o mesmo número de aeronaves da pioneira.

A empresa brasileira espera obter uma receita adicional de U$ 60 milhões no primeiro ano, fruto dos acordos de cooperação ou codeshare, através dos quais transportará passageiros cujos bilhetes tenham sido emitidos por membros da aliança e vice-versa. Múltiplos destinos, passageiros adicionais e visibilidade são alguns dos benefícios. Importante mencionar o caráter regional, haja vista será a única companhia da América Latina, após a saída da Mexicana em 2004 e da gloriosa Varig em 2007.

Num mundo cada vez mais globalizado e competitivo, inúmeras empresas têm optado por estratégias de cooperação para poderem crescer, reduzirem riscos e penetrarem em novos mercados. Os autores Adam Bradenburger e Barry Nalebuff exploraram o tema em seu livro, sugestivamente chamado de Coopetiton: A Revolution Mindset That Combines Competition and Cooperation.

Há três tipos de alianças: (i) sem participação acionária, (ii) estratégica acionária e (iii) joint ventures, as quais possuem diferentes graus de comprometimento por parte dos parceiros. O primeiro modelo prevê acordos contratuais, porém sem compartilhamento do capital social. Sócios com diferentes percentuais na empresa são característicos do segundo tipo. A abertura de uma nova firma independente, combinado partes dos ativos dos envolvidos é característica das joint ventures. O acordo assinado pela TAM se enquadra no primeiro tipo.

Diversas razões podem impulsionar empresas à cooperação. Acessar um mercado restrito, aumentar o poder de negociação, reunir recursos para grandes projetos, aprender novas técnicas de gestão, acelerar o desenvolvimento de novos produtos, manterem a liderança de mercado, formar um padrão tecnológico e compartilhar incertezas em mercados de ciclo rápido são alguns exemplos. Empresas brasileiras têm utilizado estas modalidades em suas estratégias de internacionalização, compartilhando despesas e reduzindo incertezas.  

As alianças de Sky Team, One World e Star Alliance podem ser categorizadas como estratégias cooperativas em rede: ações postas em prática por um grupo de firmas inter-relacionadas e comparáveis para servir aos interesses de todos os sócios. Para que uma rede possa ter sucesso, algumas questões devem ser analisadas em profundidade: (a) números de participantes, (b) abordagens para minimizar conflitos, (c) administração e (d) intenção estratégica, evitando-se o risco tentador dos acordos implícitos ou colusões tácitas.

Sem embargo, alianças estratégicas podem ser maléficas aos consumidores nos casos de acordos ou colusões, quando diversas firmas de uma indústria cooperam para reduzir a produção industrial abaixo do nível competitivo potencial, aumentando os preços. Esta estratégia é bastante comum no caso dos produtores de petróleo e em fusões e aquisições de mercados concentrados.

Festa com direito a astronauta da Apollo 11 e Flying to the Moon, de Frank Sinatra, além de duas aeronaves pintadas com a identidade visual da aliança (uma estrela de cinco pontas) representando os fundadores. Talvez um pouco exagerado, mas considerando-se as oportunidades vindouras em 2014 e 2016, fazer parte deste acordo é motivo de celebração. Que este não seja apenas o prenúncio de uma nova estrela brasileira no céu azul, anunciando de norte a sul.

* Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas e professor da Universidade Mackenzie.