CIOs precisam achar alternativas. Foto: Pixabay.

As prioridades dos CIOs mudaram e agora os clientes finais das organizações são a prioridade das áreas de TI.

Pelo menos, é o que aponta a pesquisa CIO Global 2016-2017, realizada pela Deloitte em 48 países, incluindo o Brasil, na qual 57% apontaram a clientela como principal elemento de atenção de sua gestão, 12 pontos percentuais acima dos 45% indicados na pesquisa anterior.

A cifra coloca os clientes como uma preocupação acima da média em oito dos dez grupos de atividades pesquisadas (as exceções foram energia, no qual o foco principal é performance e custo e o setor público, no qual a ênfase é em regulação, custos e cibersegurança).

A segunda prioridade no cômputo geral é crescimento (49%), performance (48%), custos (40%) e inovação (35%). Entre as prioridades menos citadas estão regulações (17%), talento (15%), cibersegurança (10%).

No passado, as principais prioridades eram escolhidas de maneira parelha pelos respondentes, sem uma delas assumindo uma liderança clara.

Na avaliação da Deloitte, o foco nos clientes finais é consequência da ênfase que as empresas vêm dando ao tema de transformação digital, através do qual empresas de todos os segmentos tentam replicar o tipo de relacionamento com o consumidor final simplificado e intuitivo das startups.

O problema é que entre as novas prioridades e a entrega dos resultados está a organização tradicional das áreas de TI dentro das empresas.

Assim, 45% dos líderes de tecnologia disseram que sua área está envolvida na entrega de competências capacidades de TI à experiência do cliente. 

Só 26% disseram que os skills das equipes de TI em consumidor final e experiências digitais eram acima da média ou equivalente aos líderes de mercado. Outros 28% disseram estar abaixo da média.

O envolvimento dos CIOs com o consumidor final ainda é baixo: 59% disseram estar envolvidos em criar plataformas de tecnologia para os seus clientes finais e 46% em criar produtos e serviços para os seus consumidores, assim como em experiência de consumidor e análise de dados.

Só 16% tem times multidisciplinares e governança sobre iniciativas do marketing.

Para fechar o cenário, três de cada quatro CIOs disseram estar investindo menos do que precisam nas tecnologias emergentes que podem habilitar a transformação digital.

A solução será contratar: 52% dos CIOs disseram que vão contratar profissionais com conhecimento nessas áreas nos próximos dois anos.

“Os números sugerem que apesar de crescimento através de um foco inovador no consumidor é uma grande expectativa do negócio, a maioria dos CIOs não construiu as capacidades para atender a esse fim”, resume a Deloitte.

Na avaliação da Deloitte, muitos líderes de negócios estão limitando a transformação digital nas empresas a tecnologias de front end para os consumidores.

Assim, as empresas estão ignorando a redefinição de como o trabalho é feito, de como o valor pode ser criado por novas tecnologias.

"A transformação digital é bem mais do que interagir com os consumidores. É uma oportunidade para repensar o papel da tecnologia numa organização", resume a Deloitte.