Filial da Dataprev no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

A Dataprev, estatal federal de TI ligada à Previdência Social, está preparando um plano de demissões voluntárias, no que pode ser visto como um movimento da companhia por se adiantar a mudanças planejadas pelo novo governo.

O site brasiliense Convergência Digital obteve a minuta do plano, que ainda não foi publicado no Diário Oficial da União.

O programa oferece um pagamento único de 14,7 salários pagos, com um teto de R$ 165 mil, somente para funcionários com mais de 10 anos de casa.

Programas de demissão voluntária acontecem com alguma frequência em estatais como uma forma de oxigenar quadros.

Essa nova edição, no entanto, pode ter uma adesão acima da média, pois acontece após anos de rumores sobre a possibilidade de fundir a Dataprev com o Serpro, outra estatal federal de TI, focada na Receita, visando enxugar quadros e reduzir custos.

A movimentação já vem sendo especulada desde o governo Michel Temer. Com a agenda de privatizações e redução do novo governo, ela ganha ainda mais força.

Ainda nesta semana, o secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, disse que só estão fora da agenda a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, e ainda assim só nas suas atividades principais.

O presidente da Caixa anunciou dias depois um plano de abrir capital das quatro subsidiárias do banco estatal nas áreas de loterias, seguros, cartões e gestão de recursos.

Caio Mario Paes de Andrade, um empresário com investimentos no setor de tecnologia, foi nomeado presidente do Serpro no começo de janeiro.

Andrade tem experiência em fundos de investimento e fusões e aquisições, o tipo de background necessário para liderar uma fusão entre Dataprev e Serpro.

A Dataprev manteve no comando André Leandro Magalhães, um funcionário público de carreira nomeado para o cargo no governo Temer em março de 2017. Talvez tenha ajudado o fato de Magalhães ser oficial da reserva do Exército.

A companhia, fundada em 1974, é responsável pela gestão de tecnologia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e tem três data centers, localizados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, mais cinco centros de desenvolvimento de software.

A estratégia de TI do governo federal está em transição desde o final do governo Dilma, com a saída de cena do foco prioritário em desenvolvimento interno baseado em software livre rodando sobre infraestrutura própria a entrada de soluções proprietárias e computação em nuvem de fornecedores privados.

Dataprev e Serpro reagiram ao que é na prática um ambiente mais hostil à sua continuidade da mesma maneira, o que não deixa de ser irônico para quem defende a sua continuidade como empresas indepententes.

Ambas estão tentando se posicionar como "cloud brokers", ou administradores das nuvens públicas de AWS, Microsoft, Google e outros.

De acordo com dados do Painel Gastos de TI do Ministério da Transparência de 2017, o Serpro é a empresa de TI que mais vende para o governo. A Dataprev é a segunda.