Representantes da PUC e do Caldeira assinaram convênio. Foto: Divulgação.

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O Instituto Caldeira, uma iniciativa focada em inovação que reúne boa parte do PIB gaúcho, acaba de assinar um convênio com o Tecnopuc, parque tecnológico da PUC-RS, visando fomentar o intercâmbio entre startups das duas organizações.

O acordo é o primeiro do tipo do Caldeira e deve ser seguido nos próximos meses por outros do gênero com os parques tecnológicos ligados à universidades instalados no Rio Grande do Sul, incluindo o Tecnosinos, da Unisinos, e o Zenit, da UFRGS.

No caso do Tecnopuc, o termo facilita por exemplo que startups a serem instaladas no Caldeira tenham acesso aos diferentes laboratórios da PUC-RS, focados em termos como usabilidade, produção audiovisual e prototipação, entre outros, e que as 80 startups já existentes no Tecnopuc tenham contato com os investidores por trás do Caldeira.

“O Caldeira traz uma peça muito importante para o ecossistema de inovação gaúcho, ao ser um investimento privado de grandes empresas”, resume Jorge Audy, superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUC-RS e do Tecnopuc. 

Os 40 fundadores do Caldeira incluem a nata empresarial gaúcha, representada por nomes como Jorge Gerdau Johannpeter, famílias Renner, Ling, Goldzstein e Herrmann, além de empresas tradicionais como Renner, Sicredi, Panvel, Vulcabras Azaleia, Banrisul, RBS, Randon, e da nova economia, como Agibank, 4all, Nelogica, Banco Topázio, SafeWeb, Zenvia, Meta e StartSe.

O Caldeira tem um conceito chamativo, com uma sede instalada dentro de uma grande caldeira, com 30 metros de pé direito hoje dentro da área onde hoje está instalado o Shopping DC Navegantes. O local produzia energia para as indústrias do grupo AJ Renner nos anos 20.

O acordo entre PUC-RS e Instituto Caldeira deveria ter sido assinado na inauguração oficial do Caldeira, prevista para acontecer na semana passada, mas que foi cancelada devido à explosão de casos de coronavírus em Porto Alegre.

Seria um ato mais em uma história que vem de longe. A história do Caldeira é intimamente ligada ao do Tecnopuc, desde o começo. O banco digital gaúcho Agibank mantinha uma operação dentro do parque, quando o seu CEO, Marciano Testa, começou a liderar a movimentação para criar o Caldeira.

Ao mesmo tempo, o Agibank é um dos patrocinadores do Pacto Alegre, uma iniciativa encabeçada por PUC-RS, Unisinos e UFRGS visando colocar o ecossistema de inovação de Porto Alegre em outro nível.

Uma das metas do Pacto é transformar toda a área do Quarto Distrito de Porto Alegre, onde fica o Caldeira, em um viveiro para empreendimentos de tecnologia.

Fundado no começo dos anos 2000, o Tecnopuc é um dos parques tecnológicos referência do país, com mais de 170 organizações, somando mais de 6,2 mil postos de trabalho. 

Entre as empresas instaladas estão companhias de tecnologia, como Thoughtworks, HPE e Oracle e também centros focados no assunto de grandes organizações como Sicredi, Globo.com e Marcopolo.

Ambientes como o Tecnopuc eram os grandes protagonistas do tema inovação até uma década atrás, mas o ecossistema digital está se sofisticando no Brasil, com o ingresso de grandes fundos, aceleradoras e iniciativas capitaneadas por empresas de olho na digitalização dos seus negócios como o Caldeira. 

Nesse novo paradigma, a competição se dá entre diferentes pólos, cada um deles visando reter talentos e oferecer as melhores condições para o desenvolvimento de startups de tecnologia. O Pacto Alegre deve ser entendido nesse contexto.

"A lógica é que para um crescer todos têm que crescer”, explica Audy. “Nossa ambição é que Porto Alegre tenha um lugar de referência no tema inovação na América Latina, capturando a imaginação como Recife ou Florianópolis já fizeram”, agrega.