Aloizio Mercadante. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

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Apesar de desmentida pela própria instituição, a promessa feita pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de que o MIT abriria um centro no Brasil segue de pé.

É o que garante o próprio Mercadante, citando uma mensagem enviada pelo novo reitor da instituição, Rafael Reif.

“Como futuro presidente do MIT, estou muito interessado em novas formas de colaboração com o Brasil, incluído a instalação de um centro de pesquisa”, afirma Reif na parte do contato divulgada à imprensa pela Agência Brasil.

Reif atualmente ocupa o cargo de vice-reitor, mas foi escolhido para assumir o a frente do instituto a partir de julho.

Para não ficar sozinho no imbróglio, Mercadante acrescentou que Marco Raupp, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, sua antiga pasta, também recebeu a mensagem.

DESMENTIDO
A possibilidade de um centro de pesquisa no Brasil pelo MIT surgiu durante a viagem da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos em abril. Na ocasião, Mercadante anunciou que o MIT iria abrir uma “filial” no Brasil.

Horas depois, a instituição divulgou nota negando a informação.

“O MIT não abre filiais no exterior”, disse o comunicado, acrescentando que deve ter havido “um pequeno mal entendido” e que “o ministro falava em uma noção geral de colaboração”.

A REALIDADE
O que existe de concreto é um acordo entre o MIT e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com o objetivo de expandir a formação de engenheiros no Brasil.

Além disso, cursos online, em uma parceria entre MIT e Harvard, poderão ser oferecidos no Brasil futuramente, depois de uma aliança de US$ 60 milhões entre as duas instituições.

Oficialmente, não há nada além disso.

Uma possível definição sobre a criação, ou não, de um centro do MIT no Brasil pode sair em julho. Mercadante disse que convidará um representante do instituto norte-americano para visitar o país depois da Rio+20, quando a agenda do governo estará menos cheia.

PROMESSAS
Em abril do ano passado, enquanto era o ministro de Ciência e Tecnologia, Mercadante deu eco ao anúncio da Foxconn, para uma montadora dos iPads, da Apple, no Brasil, com investimento de US$ 12 bilhões.

A partir do anúncio, as promessas do iPad made in Brasil começaram a ganhar destaque, sempre na boca de Mercadante.

Julho, agosto e outubro foram alguns dos meses cogitados para o início da produção.

Sem definições de local para a fábrica, com problemas para obter o montante do projeto, já que a Foxconn estava disposta apenas a entrar com a tecnologia, sem recursos próprios, o iPad brasileiro, e mais barato, foi caindo num ciclo de adiamentos.

No final de 2011, a roda do fica pra mais tarde se encerrou com a admissão, por Mercadante, de que o modelo não tem data para ser fabricado no Brasil.

As últimas notícias que se tem datam de depois da saída de Mercadante da pasta. Sabe-se que os iPads já estão sendo fabricados no Brasil, aguardando trâmites burocráticos para chegar ao mercado brasileiro.

Desde que assumiu o lugar de Mercadante, Raupp se mostrou mais discreto com as bandeiras do ministério.