Criadores do Patmos. Foto: Divulgação.

Três profissionais da GE Celma, empresa sediada em Petrópolis que é uma das principais companhias da divisão de aviação da GE no mundo, criaram um software capaz de prever o desempenho de motores aeronáuticos.

A ferramenta, feita em cinco meses usando a linguagem de programação Visual Basic aplicada para Excel, é capaz de analisar a performance de 250 parâmetros na montagem de um motor aeronáutico.

Com base em mais de 10 milhões de dados, o software é indica se determinado motor será aprovado ou não no banco de provas, a etapa final do processo de reparo de motores. 

Com a redução das rejeições no banco de provas, a economia prevista pode chegar até US$ 1,3 milhão por ano, sem contar a economia de cerca de 300 horas de retrabalho, o que inclui desmontar o motor, corrigir o problema e refazer o teste. 

Atualmente, 5% dos motores testados são rejeitados por apresentarem algum desvio e cada teste custa em torno de US$ 50 mil. A ideia não é fazer isso usando Excel para sempre, como gostariam muitos dos apaixonados pelo sistema de planilhas.

“Uma vez provado o conceito e a versão inicial implementada estamos buscando outras oportunidades de melhorar o método de visualização das informações”, assegura Rodrigo Araújo, profissional da área de Planejamento de Produção, e um dos idealizadores do software, chamado de Patmos.

Todo o processo de revisão de um motor, incluindo recebimento, desmontagem, limpeza, inspeção, remontagem, testes e expedição, dura entre 60 e 65 dias na GE Celma, o que já é um recorde no mercado mundial de aviação.

“Antigamente, os dados ficavam armazenados de maneira analógica e a análise era feita de forma manual”, afirma Luis Gustavo Plumm, da área de Engenharia de Motores, outro dos criadores da solução. 

Agora, a empresa terá um banco de dados “vivo” e em constante atualização, explica Pedro Teixeira, estagiário de Engenharia de Motores, o terceiro criador do Patmos.

“Quanto mais testes realizamos, mais dados comparativos são gerados e, cada vez mais, garantimos um programa com alto grau de acuracidade. O próximo passo será deixá-lo mais automatizado”, completa Teixeira.

A Celma foi criada em 1951 focada na fabricação e manutenção de eletrodomésticos, ferramentas elétricas e autopeças. 

Desde então ela passou por muitos donos, incluindo a Panair do Brasil que comprou a mesma em 1957 e o governo brasileiro, que estatizou a companhia em 1965. Nos anos 90 a companhia foi privatizada e acabou nas mãos da GE em 1996.

No ano passado, a companhia faturou US$ 2 bilhões, 95% deles vindo de grandes clientes de fora do país como Southwest, FedEx e Latam. Ao todo, a empresa emprega 2,1 mil funcionários, a maioria deles residente na região de Petrópolis.