Kai Schoppen, CEO e fundador da Infracommerce. Foto: divulgação.

A Infracommerce, companhia responsável pela operação do e-commerce de outras empresas, tem um projeto-piloto para criar uma rede de 80 dark stores, que são mini centros de distribuição, espalhadas pelo Brasil. O investimento é de R$ 10 milhões.

Segundo o site NeoFeed, a Infracommerce se define como uma “Amazon white label para as empresas”, colocando uma operação on-line no ar em, no máximo, quatro semanas.

Desde o início da crise, a companhia já cresceu mais de 100% com a procura tanto de empresas que não tinham e-commerce e precisaram agir rápido quanto de clientes que precisavam aumentar seus espaços.

No caso da Nike, que aumentou a demanda, a empresa opera o desenvolvimento do site, a tecnologia, a logística, o centro de distribuição, a operação de pedidos, entregas e até a gestão e resposta para a reclamação dos consumidores.

Assim, a companhia faz toda a operação e fica com uma média de 20% a 25% da receita de cada produto vendido no ambiente digital.

Ela também está por trás de operações digitais de empresas como Pernod Ricard, Três Corações, Nespresso, Luxottica, Motorola e Kopenhagen.

Para isso, a Infracommerce tem quatro grandes centros logísticos no Brasil, sendo dois em São Paulo, um em Brasília e outro em Salvador, operando mais de 4 milhões de produtos por mês. Até o fim do ano, deve movimentar cerca de R$ 4,5 bilhões. 

Com o novo projeto, a ideia é ter uma maior quantidade de centros menores, mais próximos dos consumidores, gerando entregas em até duas horas e frete reduzido. Com uma dark store no Nordeste, por exemplo, o valor cairia de R$ 30 para cerca de R$ 10.

Por enquanto, três dark stores estão funcionando em São Paulo e, no segundo semestre, a Infracommerce deverá abrir outra no Recife.

Marcas como Ambev, Pernod Ricard e Três Corações já estão usando esse formato em São Paulo. A solução é voltada para quem vende mais de R$ 100 mil por mês no e-commerce. 

Ainda de acordo com o site, a localização de cada dark store é definida depois de uma série de variáveis analisadas pelos algoritmos de inteligência artificial da empresa. São levados em conta os produtos, as regiões, o alcance e as melhores rotas de entrega.

Criada no fim de 2012, a Infracommerce já recebeu um total de US$ 35 milhões em aportes. 

O modelo é muito parecido com o de uma companhia chinesa chamada Baozun que trabalha nesse segmento, tem capital aberto na Nasdaq e avaliação de mercado superior a US$ 1,67 bilhão.

Além do Brasil, a Infracommerce atua na Argentina, Colômbia e México, com um total de 1,5 mil funcionários. O Brasil representa 90% do faturamento e o restante da América Latina responde por 10%.

Mesmo com o investimento no Brasil, a meta da empresa é fazer com que os outros países da região passem a representar 40% da receita nos próximos cinco anos. 

De acordo com a ebit, o e-commerce movimentou R$ 61,9 bilhões no mercado nacional em 2019, 16% a mais do que em 2018. Isso não representa nem 5% do que é movimentado no varejo.