FAÇA O QUE EU DIGO?

BNDES: R$ 28 milhões em SAP

01/08/2014 11:21

Instrumento número 1 do governo de fomento ao software nacional prefere tecnologia alemã em casa.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

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O BNDES abriu um pregão eletrônico para adquirir produtos e serviços SAP, em um valor global máximo de  R$ 28 milhões.

O processo, identificado pelo número 25/2014, inclui suporte técnico básico por três anos, prorrogáveis por outros 60 meses.

Em termos de licenças serão compradas 600 do software SAP Environment, Health & Safety (EHS) Management e outras 766 do software SAP Productivity Pak by Ancile, além de 800 doBA&T SAP Access Control.

No final de 2012, o banco estatal de fomento adquiriu o software de BI Business Objects da SAP, em um contrato de R$ 13 milhões vencido pela Politec.

Pesquisando nos relatórios e editais disponíveis no site do BNDES, a reportagem do Baguete averiguou que a implementação do sistema de gestão da SAP começou em 2010.

Nem o banco estatal nem a SAP fizeram muito alarde junto à imprensa sobre as melhorias no ambiente tecnológico da instituição [muito provavelmente, a SAP não foi autorizada pelo BNDES a explorar o que seria uma notícia relevante para a multinacional].

Talvez o BNDES queira evitar que gaiatos insinuem que a instituição, um dos pilares da estratégia do govenro brasileiro de promoção da indústria nacional de software, é um desses casos de “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”.

O BNDES opera linhas de crédito com valores subsidiados para compras de software destinadas exclusivamente a produtos desenvolvidos no Brasil. 

[É verdade que também há subsídios para multinacionais, basicamente para centros de desenvolvimento como o próprio SAP Labs da SAP, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul].

A instituição também foi uma das responsáveis, dentro da visão do governo federal de estimular com crédito barato o surgimento de grandes players nacionais, pelo surgimento da Totvs, hoje o maior concorrente da SAP no Brasil. 

O BNDES emprestou R$ 404,5 milhões para ajudar na compra da Datasul em 2008, um passo fundamental na trajetória da Totvs. Ainda no ano passado, despejou outros R$ 658,6 milhões na companhia.

Independentemente das estratégias de política industrial nas quais atua como fomentador econômico, as decisões internas do BNDES estão alinhadas com as tendências do mercado.

Segundo uma pesquisa da  Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), a SAP tem 52% do mercado quando o assunto são empresas com mais de 700 teclados, o que deve ser caso do BNDES, contra 21% da Oracle, 20% da Totvs e 7% de oturas empresas. 

A Totvs dominou a faixa que envolve empresas que possuem entre 170 e 700 teclados, com 41% de participação, ante 24% da SAP, 17% da Oracle e 18% de outras empresas. 

No segmento de empresas menores, com até 170 teclados, a liderança da Totvs é mais significativa, com 52% frente a 9% de SAP e Oracle e um número importante de outros, com 30%.

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