Seth Ravin cutucou a SAP com pesquisa.

A maioria dos clientes da SAP não quer ou ainda está indecisa sobre a decisão de migrar em algum momento do futuro para o S/4 Hana, última versão do software de gestão da multinacional alemã.

Pelo menos, é o que garante uma pesquisa feita pela Rimini, fornecedora de suporte terceirizado para sistemas de gestão, com 208 clientes da empresa na América do Norte, Ásia, América Latina e Europa.

A pesquisa da Rimini, é claro, deve ser analisada com ceticismo, uma vez que o interesse da empresa é justamente que esses clientes não migrem para a última versão e eventualmente contratem seus serviços.

Por isso, a empresa apresenta os dados de maneira a favorecer a sua interpretação da situação, dizendo, por exemplo, que 65% dos pesquisados não irão migrar os seus sistemas atuais para o S/4 Hana, ou estão indecisos.

Agrupando indecisos com os decididamente contrários, a Rimini infla a sua hipótese de resistência a migração. A empresa também não abre quais eram todas as categorias pesquisas. 

Supondo que fossem três as possibilidades (decididos a migrar, indecisos e decididos a não migrar), a pesquisa indicaria que pelo menos 35% dos pesquisados estão decididos a migrar.

Um outro aspecto que indica com mais claridade o tipo de problema que a SAP pode enfrentar para promover a migração para o seu novo ERP é o release que os clientes estão usando.

Apenas 52% estão no ECC 6.0, a versão imediatamente anterior ao S/4 Hana. A outra metade dos usuários está ainda no R/3 4.x, ou versão anteriores, ou no ECC 5.0).

Entre esses que estão comprometidos com a migração, 56% afirmaram que a justificativa é que o S/4 Hana é que essa é a “direção futura da SAP para seus negócios e nós não temos alternativa”.

Uma frase que não revela muito entusiasmo na base de clientes, mas que, de novo precisa ser lida com cautela, uma vez que provavelmente se tratava de uma resposta de múltipla escolha e a Rimini não abriu nenhuma das outras alternativas.

Os custos de migração foram estimados por 56% dos clientes entre US$ 10 milhões e US$ 100 milhões, o que é difícil de interpretar tendo em conta que a Rimini não forneceu as outras faixas de valores, uma média ou maiores informações sobre o porte dos pesquisados.

“Os CIOs preferem maximizar o valor do seu sistema de ERP da SAP atual e robusto, que mais do que satisfaz seus requisitos de negócios, em vez de passar para uma nova plataforma ainda em desenvolvimento e sem nenhum case de negócio convincente que suporte uma reimplementação total”, fulmina Seth Ravin, CEO da Rimini Street.

O X da questão é que o S/4 é diferente de seus predecessores na SAP porque roda exclusivamente no banco de dados em memória Hana, o que exige um investimento maior no hardware. 

A SAP afirma que o investimento se paga com desempenho superior das aplicações, e, é lógico, oferece um cenário muito mais róseo sobre o S/4 Hana, repetindo sempre que possível que se trata do produto com “adoção mais rápida da história da companhia”, outro tipo de informação que não quer dizer muita coisa.

Na sua divulgação de resultados do primeiro trimestre, a SAP falou em 5,8 mil clientes do produto em nível global. Lançado em fevereiro de 2015, o S/4 tinha acumulado até outro daquele ano 1,3 mil.

No Brasil, o último número disponível é de maio de 2016, quando havia 300 clientes em alguma fase de implantação do novo produto, em uma base total de 3,2 mil. 

Algumas medidas tomadas pela SAP indicam que esses números podem ser melhorados.

Durante o SAP Forum, seu evento mundial realizado em Orlando, a companhia apresentou Value Assurance, um modelo de contração de implementação do sistema de gestão oferecendo garantias sobre o retorno de investimento.

De qualquer forma, é preciso relativizar o tamanho da oportunidade que as dificuldades da SAP em migrar a sua base para o S/4 representam para a Rimini.

A Rimini Street dá suporte terceirizado para 1,7 mil clientes de 13 produtos da SAP e Oracle (no Brasil são 41), mas ainda é uma anã frente às duas gigantes.

O resultado no ano passado foi de US$ 161 milhões, uma alta de 36%.