Igor Mascarenhas. Foto: divulgação.

O Programa Startup Brasil, lançado em 2013 pelo governo federal como um fomentador-chave do empreendedorismo no Brasil, anunciou números de seu andamento até agora, apontando um apoio elevado vindo de investidores privados.

De acordo com a organização da iniciativa, cerca de R$ 24,3 milhões aplicados nas startups até agora são provenientes de investimentos privados, valor bem acima dos R$ 9,2 milhões aportados pelo programa. As aceleradoras credenciadas responderan por R$ 1,8 milhão.

Numa conta rápida, para cada real investido pelo governo, investidores privados entraram com aproximadamente R$ 2,80.

Os dados foram divulgados na última semana, durante o evento Demo Day, que reuniu projetos e apresentações das turmas 2 e 3 do Startup Brasil, programa gerido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a Softex.

Em relação às turmas já aceleradas, que renderam um total de 183 startups apoiadas em meio a 2.855 inscrições, o MCTI apresentou números animadores. 45% das startups receberam rodadas de investimento adicionais ao longo do processo de aceleração, além da verba pública a fundo perdido.

O faturamento das startups da turma 2 cresceu 174% de janeiro a julho de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado e passaram de uma média de 3,6 pessoas por empresa no início da aceleração para 8,7 no final do processo - um crescimento de 153% no número de postos de trabalho.

As aceleradoras qualificadas para a turma 2 foram 21212, Acelera MGTI, Acelera Partners, Aceleratech, Outsource Brazil, Papaya, Pipa, Start You Up e Wayra.

Entretanto, nem tudo é animação. Mesmo com os números positivos registrados, o programa está com seu futuro indefinido. Desde seu início em 2013, o programa anunciava dois editais de seleção de startups por ano (um por semestre). Em 2015 ainda se espera o lançamento do primeiro edital.

No final de julho, em entrevista exclusiva com a reportagem do Baguete, Igor Mascarenhas, gerente de operações do Startup Brasil, explicou que o edital sairia nas semanas seguintes.

"Foi um atraso natural que tivemos em nossas operações, mas isso não quer dizer que o programa passa por dificuldades", afirmou Mascarenhas na ocasião.

Segundo o gerente, as movimentações referentes às turmas existentes do programa foram alguns dos fatores que atrasaram a iniciativa em 2015 e provavelmente só renderiam uma turma em 2015.

Mascarenhas refutou a possibilidade de cortes orçamentários no programa, alegando que os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) já estão alocados no CNpQ, entidade responsável pela liberação dos investimentos, que vão de R$ 20 mil a R$ 200 mil por startup a fundo perdido.

Mais de um mês se passou, e nada de edital. O tema não foi mencionado no comunicado de imprensa do Startup Brasil sobre os resultados até agora. Procurada, a organização do programa afirma que segue no aguardo de uma resposta do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Vale lembrar que o governo federal anunciou em maio uma redução de investimentos de aproximadamente R$ 70 bilhões, que atingiram todos os ministérios, incluindo o de Ciência, Tecnologia e Inovação, que teve corte de R$ 1,8 bilhão (25%).

Apesar da maior parte dos recursos virem de fora, o dinheiro do governo é responsável por criar um chamariz atrativo para empreendedores, fazendo com que os poucos selecionados (até o momento, foram 15 candidatos por vaga) sejam naturalmente um alvo para investidores privados.

Além de terem a pré-seleção feita pelas aceleradoras ligadas ao programa, os investidores colocam capital em empresas que já tiveram um aporte em uma fase de maior incerteza sobre sua viabilidade, diminuindo seu próprio risco na jogada.

Para quem já entrou no programa, parece que está tudo em ordem. Para quem ainda quer entrar, o jeito é esperar