Vem por aí uma crise? Foto: alphaspirit / Shutterstock

O mercado de TI brasileiro decaiu 1% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado e sinaliza nova queda para o segundo semestre. 

É o que aponta uma medição da IT Data, uma empresa brasileira de pesquisa e estudos de mercado, com uma base de 800 compradores de TI em empresas com faturamento acima de R$ 100 milhões.

O resultado de queda é inédito na série histórica do levantamento, iniciada em 2006. Até 2011, o crescimento ficava em torno de 10%, com a única exceção de 2009, quando, mesmo sob efeito da recessão, os gastos com TI ainda cresceram 2%.

O panorama atual começou a se desenhar em 2012, quando o aumento ficou na faixa dos 6%, cifra que se repetiu em 2013 e é mais ou menos a inflação do período.

“Nos meus 27 anos de mercado eu nunca tinha visto um cenário tão desanimador”, confessa Ivair Rodrigues, Diretor de Pesquisa da IT Data, que criou a empresa 10 anos atrás vindo da IDC e hoje atende cerca de 280 clientes.

Rodrigues atribui o cenário atual a uma conjunção de fatores ligados ao desempenho econômico como um todo (a queda no PIB industrial, o começo do desaquecimento no setor de serviços), somados a tendências de tecnologia (a queda nas vendas de PCs), a alta do dólar e acontecimentos pontuais do ano de 2014, como a parada da Copa e a incerteza em relação às eleições.

“Muito dos produtos de tecnologia tem seus preços intimamente ligados com o dólar. Com altas de orçamento que apenas cobrem a inflação e agora nem isso, é menos dinheiro para comprar a mesma coisa”, afirma Rodrigues.

O especialista aponta para outro fator que está contribuindo para a queda nos gastos com tecnologia das empresas: o custo da mão de obra no orçamento dos CIOs. 

De acordo com Ivair, os R$ 150 bilhões em gastos anuais de TI que formam as previsões típicas de Gartner e IDC são na metade deles custos de mão de obra. 

“As empresas ainda estão retendo funcionários com medo de não encontrar recursos qualificados. Isso deixa ainda menos recursos para investimento em hardware, software e serviços”, conclui Rodrigues.

O cenário descrito por Rodrigues ainda não chegou, pelo menos nas projeções de crescimento das empresas de TI.

O último levantamento trimestral da Advance Consulting com 2,5 mil profissionais do setor, divulgado em agosto, indica que uma expectativa média de crescimento para 2014 da ordem de 10,4%. 

É quase o dobro da previsão do setor de TI (6,65%) e dez vezes mais do que os 1,25% previstos para a economia brasileira como um todo, lembrando que para o primeiro semestre a expectativa já é recessão e que alguns analistas já revisaram suas previsões para abaixo de 1%.