"Global Legal Chronicle? É brincadeira!". Foto: Divulgação.

A Claro comprou 40% da Ustore, uma startup pernambucana com forte presença no campo de soluções para infraestrutura na nuvem,  a base tecnológica dos chamados ambientes multicloud.

O fato não foi divulgado até agora nem pela Claro nem pela Ustore, mas apareceu no Global Legal Chronicle, um site internacional focado em movimentações no mercado de ações.

A informação provavelmente partiu de um dos escritórios de advocacia que auxiliaram na aquisição, citados na matéria do Global Legal Chronicle com direito aos nomes dos advogados (um deles é um Orleans e Bragança).

A venda de participação para a Claro pode ser a explicação para a saída do CEO da Ustore,  Nelson Campelo, que assumiu recentemente o cargo de CEO para América do Sul da multinacional francesa Atos, em uma movimentação revelada com exclusividade pelo Baguete.

Campelo, um executivo experiente que foi country manager da Avaya no Brasil, adquiriu uma participação na Ustore em 2015, quando passou a ser CEO da empresa. 

Fabiana Falcone, executiva que era a diretora comercial da Ustore, assume o comando da empresa, com o cargo de COO. Não está claro que a Ustore está buscando um novo CEO ou não.

Já o caminho da aquisição de participação da Claro é fácil de entender: em 2018, a Embratel, empresa controlada pela América Móvil, também controladora da Claro, passou a utilizar tecnologia da Ustore.

O software dos pernambucanos faz rodar o Painel MultiCloud Embratel, que oferece gestão, bilhetagem, orquestração e provisionamento de recursos, serviços e aplicações de múltiplas nuvens públicas e privadas.

A Embratel tem cinco data centers próprios no Brasil e tem planos de se tornar um dos maiores players no mercado de TI brasileiro nos próximos anos, com uma oferta indo desde telecomunicações até implantação de sistemas, passando por outsourcing de TI, service desk e fábrica de software.

O objetivo é replicar no país o posicionamento que a América Móvil,  tem no México, onde fica a sede da empresa. Lá, a empresa está entre as cinco maiores de serviços de TI, junto com players como IBM, HPE e Sofftek.

Como a Claro não comprou o controle (pelo menos por enquanto), a Ustore ainda teria margem para manter acordos similares já assinados com a Algar Telecom, Rede Nacional de Pesquisa, e com a própria Atos, que contratou o ex-CEO da empresa.

Criada em 2007 por um doutorado em Segurança de Sistemas na Universidade Federal de Pernambuco, a Ustore criou tecnologia própria para armazenamento de grandes volumes de dados, desestruturados e indexados em nuvens distribuídas, baseados numa infraestrutura criada na plataforma open source OpenStack.

Esse tipo de startup é um ativo quente no mercado. Em 2016, a UOLDiveo adquiriu a Dualtec foi uma das primeiras empresas no Brasil a se posicionar como uma “cloud broker” e uma referência em OpenStack.

A Tivit fez um movimento igual meses depois, comprando a startup mineira One Cloud. No ano passado, foi a vez da Locaweb adquirir a sua startup de multicloud, com a compra da Cluster2Go.