Justin Fishkin, no palco durante o SolidEdge University.

A Local Motors, montadora americana de carros que quer revolucionar a indústria automotiva com uma abordagem open source dos seus carros, fechou um acordo com a IBM para usar o Watson como interface de usuário do Olli, um veículo autônomo focado em transporte coletivo.

O conceito do Olli, uma espécie de van com lugares para até 12 pessoas, é fazer a “última milha” do transporte coletivo, com a plataforma de computação cognitiva da IBM servindo como interface por linguagem natural dos usuários com o produto.

“Nós fomos a primeira parceira da IBM na indústria automotiva, pela nossa capacidade de colocar produtos na rua com rapidez”, resume Justin Fishkin, chief strategy officer da Local Motors.

De acordo com Fishkin, a primeira cidade a receber os carros será a capital, Washington, seguido de Miami e Las Vegas ainda em 2016. 

A ideia é começar a usar o carro em ambientes fechados, como campus universitários, e colocar eles na rua à medida que o uso de carros autônomos começarem a serem regulados pelas cidades americanas.

As coisas tem andado rápido nos Estados Unidos quando o assunto é a aproximação da indústria automobilística com a de tecnologia, visível nos produtos da Telsa e nas tentativas na área da Apple.

Poucos dias depois de Fishkin apresentar o case da Local Motors no SolidEdge University, evento mundial da Siemens PLM realizado em Indianápolis, nos Estados Unidos, a IBM anunciou um acordo similar com a GM para desenvolver o sistema “OnStar Go”, plataforma de mobilidade cognitiva para o setor automotivo que utiliza recursos do Watson.

A aposta da Local Motors, no entanto, é muito mais radical do que qualquer outra coisa em curso na indústria. 

“Nossa pergunta é: o que Henry Ford teria feito se na sua época já existisse a Internet?”, aponta Fishkin, para quem a indústria automotiva está pronta para passar por uma revolução semelhante à introduzida por Ford com a linha de montagem.

Se Henry Ford apostou na produção em massa de veículos idênticos a custos baixos (todo mundo pode escolher a cor do carro, com tal que ela seja preta) a resposta da Local Motors é diametralmente oposta.

O modelo de negócios é baseado em crowdsourcing do design, mobilizando uma comunidade de milhares de designers  

Um dos primeiros acordos de tecnologia da empresa foi com a Siemens PLM, visando liberar o uso do software de CAD SolidEdge para os participantes.

Uma vez definido o produto, a Local Motors aposta em produção localizada e rápida com uma combinação novas tecnologias como impressão 3D e o uso de componentes de prateleira - mais parecido com um servidor x86 do que um carro.

“Somos uma empresa de tecnologia, não uma montadora”, resume Fishkin.

* Maurício Renner viajou a Indianópolis para cobrir o SolidEdge University a convite da Siemens PLM.