Empresas querem retorno rápido de investimento. Foto: Pixabay.

As empresas brasileiras querem projetos de Internet das Coisas principalmente para cortar custos. E rápido.

É o que aponta uma pesquisa encomendada pela Cisco e Intel com a Pyramid Research.

De acordo com os dados,  melhorar eficiências operacionais e reduzir custos é a prioridade quando o assunto é IoT para 60% dos entrevistados. 

Em termos de retorno, 46% quer ver o investimento pago entre seis meses e um ano. Outros 17% querem que seja imediato. Só 29% esperariam de um a dois anos e 8% após dois anos.

Condizente com esses dados, a principal preocupação na implementação de projetos de IoT é justamente mostrar o valor para o negócio (32%).

Aspectos técnicos ficam bem atrás com segurança sendo citada por 20%, privacidade por 16%, expertise gerencial por 12% e integração por 8%.

“O cenário atual de IoT é de adoção por setores onde os resultados propostos justificam o pioneirismo de algo conectado", resume Amri Tarsis de Oliveira, diretor de IoT para América Latina da Cisco.

Não parece um panorama muito animador para os fornecedores e talvez seja por isso que a Cisco escolheu abrir seu relatório falando que 73% das empresas pesquisadas já tem ou vão fazer um projeto de IoT nos próximos 12 meses.

Como a empresa não quebrou esses números em detalhe, não é possível saber quantos já fizeram (provavelmente poucos) e quantos estão fazendo planos que podem ou não terem resultados práticos (provavelmente a maioria).

Outra pesquisa sobre o mesmo tema da PromonLogicalis ilumina um pouco esse aspecto. 

Nesse levantamento, somente 31% das empresas entrevistadas têm um nível de adoção da tecnologia entre moderado e alto, enquanto 66% chegou, no máximo, a discutir esse tipo de iniciativa.

O futuro parece um pouco melhor. Enquanto 32% dos participantes do estudo enxergam IoT como crucial para seus negócios atualmente, esse cenário deve se inverter nos próximos anos: 62% dos participantes acreditam que IoT será extremamente importante em três a cinco anos.

Seja como for, dentre as aplicações que as empresas já adotam ou planejam adotar, o controle de ativos e pessoas aparece em primeiro lugar com 36% das menções na pesquisa da Cisco e Intel. 

A implementação de sistemas de segurança inteligentes ficou em segundo lugar, citada por 28% das empresas entrevistadas, seguida por sistemas inteligentes de automação para precificação de produtos, com 26%, e sistemas preditivos para campanhas de marketing com 22%.

Isso está também em linha com as expectativas centradas em torno de corte de custos, uma vez que só 24% das empresas visam aumentar suas receitas em produtos e serviços já existentes em seus portfólios através da IoT. 

Apenas 8% das empresas mencionaram que pretendem aumentar suas receitas através de novos produtos e serviços e outros 8% focam na IoT para melhorar seus processos de tomada de decisão.

“Um dos principais desafios para as companhias é entender a Internet das Coisas como uma nova fonte de receita. Demonstrar o valor que será obtido através da IoT e justificar os custos do projeto, bem como o retorno do investimento, são desafios-chave para se iniciar qualquer projeto nesta área”, comenta o diretor de IoT e Inovação da Intel Brasil, Max Leite.

Segundo o estudo, que focou no segmento B2B, verticais como entretenimento, turismo, financeiro, utilities e varejo apresentarão forte crescimento dentro do mercado da IoT no Brasil. 

A pesquisa da Intel e Cisco ouviu 88 empresas, todas com mais de 200 funcionários, em diferentes verticais. Já a PromonLogicallis ouviu 160 empresas, mas não deu maiores detalhes de perfil.