2013 foi um ano ruim? Sim ou não? Foto: divulgação.

Embora 2013 tenha sido um ano movimentado no setor de tecnologia, foi um ano ruim para a indústria e para o Vale do Silício, o suposto coração da inovação tecnológica.

Antes que a reportagem do Baguete seja crucificada pela opinião, vale salientar que este desanimador quadro foi pintado pelo analista Christopher Mims, do site norte-americano Quartz.

Segundo Mims, 2013 não trouxe significativos avanços para a computação, em que as novidades foram em sua maioria supérfluas e que inovações como os wearables devices decepcionaram (o Samsung Galaxy Gear) ou ainda não mostraram de fato a que vieram (Google Glass).

No caso do relógio da Samsung, a promessa de um dispositivo conectado e personalizado, capaz de acompanhar o usuário em maneiras que o smartphone não é capaz esbarrou em dificuldades como bateria e display limitado, o que desanimou desenvolvedores.

O público também torceu o nariz para o relógio da Samsung. Segundo dados da revista BusinessKorea divulgados em novembro, o gadget registrou a vergonhosa marca de 50 mil unidades vendidas, direto para a lista de maiores fracassos do ano.

Já o Google ainda tem que provar que o seu óculos realmente pode ser mais que um óculos que chama a atenção na rua e grava vídeos de forma discreta, segundo disparou Mims. 2014 pode ser o ano para isso, já que a empresa programou o lançamentos dos óculos para o consumidor final.

No entanto, para o sucesso do Glass, resta saber se os desenvolvedores de apps também mergulharão de cabeça na novidade, algo que pode animar possíveis compradores.

Para Mims, 2013 foi o ano em que os smartphones finalmente viraram comodities, com todos os aspectos bons e ruins que vem com isso. Do lado bom, telefones avançados chegaram ao alcance do consumidor médio, assim como os tablets, que também chegaram ao alcance de mais compradores.

Até a Apple entrou nessa onda, com o lançamento de seu iPhone 5C, que mesmo assim não sendo tão barato, foi um passo inédito para a empresa de Cupertino, apostando em preços reduzidos.

O ruim disso tudo, conforme o analista, é que pela primeira vez os consumidores sentiram que os celulares não apresentaram grandes inovações. Novidades de "ponta" como o Galaxy S4 e o iPhone 5S foram apresentados como grandes produtos, e venderam bastante também. Mesmo assim, Mims não se mostrou impressionado.

"Os novos aparelhos da Apple e Samsung não foram grandes saltos em relação às versões anteriores. O máximo que a Apple conseguiu fazer foi trazer um processador mais rápido capaz de animar efeitos em 3D e implantar um sensor de digitais que resolveu um problema de segurança que não era importante", criticou.

O analista também criticou a mudança estética que a Apple promoveu em seu sistema operacional. Segundo ele, o iOS "parece um lançamento da Microsoft" e serviu para limitar versões mais antigas do telefone, levantando suspeiras de obsolescência programada pela fabricante.

MUDANÇAS NAS GIGANTES

2013 também foi o ano em que grandes empresas de tecnologia tiveram que rebolar para garantir sua sobrevivência para os próximos anos. Gigantes como Microsoft, Blackberry, Intel, Dell e Nokia refizeram suas estratégias.

Depois de amargar vendas baixas e prejuízo de cerca de US$ 1 bilhão em sua investida no mercado de tablets com o Surface e ver o Windows 8 agradar menos que o esperado, Steve Ballmer e a sua Microsoft anunciaram na metade de 2013 uma nova postura para vencer no mercado.

Com o lema de "One Microsoft", a companhia de Redmond apostou na unificação de suas plataformas e serviços - desde o Windows, passando por Skype, Xbox e outros - para reforçar sua oferta para os consumidores.

Além disso, a fabricante comprou por cerca de US$ 7 bilhões a divisão móvel da Nokia, mais um indício que a empresa quer ganhar força no mercado de celulares, no qual já desbancou a Blackberry do terceiro lugar.

Os canadenses da Blackberry, por outro lado, no começo do ano apostaram em uma nova linha de produtos e seu novo sistema Blackberry 10. Entretanto, e companhia não teve o resultado que queria e lidou com o fantasma da falência ou uma possível venda durante o segundo semestre.

A Intel também deu o braço a torcer no ano, anunciando que pretende entrar na fabricação de chips com arquitetura ARM, uma investida para participar do mercado de processadores em dispositivos móveis.

Michael Dell surpreendeu o mercado ao desembolsar US$ 24,4 bilhões para fechar o capital da companhia que fundou em 1984, uma saída para buscar novos mercados, já que as vendas de PCs não foram bem, rendendo prejuízos à empresa pela primeira vez desde 1993.