Airbnb quer aproveitar o turismo em Cuba. Foto: divulgação.

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O Airbnb, serviço online de crowdsourcing de hospedagem, com cerca de 800 mil listagens em mais de 190 países, prepara a adição de um novo e inesperado destino: Cuba.

O país caribenho, que vem experimentando uma gradual abertura de sua economia desde 2008, com a entrada de Raul Castro no poder, também ensaia uma guinada na parte tecnológica, principalmente na parte de conexão à internet, o que pode ajudar empresas como o Airbnb.

O aceno do governo norte-americano para o fim do embargo econômico de décadas em relação à Cuba também pode cumprir um papel de catalisador nesta mudança.

Embora as listagens serão abertas para usuários do mundo todo, o plano do Airbnb a primeira experiência de aproximação deste tipo para o consumidor norte-americano - outros sites populares de hospedagem nos Estados Unidos, como Expedia e Kayak, não possuem listagens para o país.

Cerca de mil residências privadas deverão ser listadas inicialmente para os usuários do serviço. Cerca de 40% das propriedades ficam em Havana, com o resto focando em outros destinos turísticos como a praia de Cienfuegos.

"Acreditamos que Cuba poderá ser um dos grandes mercados do Airbnb na América Latina. Estamos nos conectando com uma cultura de microempreendedorismo que já existia há anos no país", afirmou Kay Kuehne, diretora regional da Airbnb, ao Business Insider.

A expectativa do site é colocar quartos e apartamentos confortáveis - com amenidades que se encontram em hotéis de três a quatro estrelas - a preços baixos como US$ 25, o que pode atrair bem mais que os consumidores norte-americanos.

No Brasil, a oferta online de destinos em Cuba também é escassa. Sites como o Decolar.com possuem a opção para procurar estadias no país, mas as buscas apresentam poucos ou, em alguns casos, nenhum resultado.

Apesar do plano ser interessante no papel, outro empecilho se coloca no caminho desta inclusão turística. Atualmente, só 4% das residência cubanas contam com acesso à internet, o que pode atrapalhar a iniciativa do serviço web.

A empresa, entretanto, estima que os dólares recebidos pelos locatários podem os ajudar a comprar seus computadores e conexão. O preço da conexão no país ainda é caro: um link de 2Mbps custa cerca de US$ 900.

"No fim das contas, o Airbnb será bastante útil para os americanos indo para o país. E os locatários terão a chance de fazer dinheiro. Mas quando, exatamente, eles terão a internet?", perguntou Jason Koebler, do site Motherboard.

Outras iniciativas pretendem facilitar o uso de internet no país. Em março, o governo permitiu o lançamento do primeiro serviço público de internet via wi-fi. O projeto acontece em um centro cultural de Havana. Além disso, rumores apontam que o país está em conversas com a chinesa Huawei para investir em infraestrutura de telecomuncações.

Para esta primeira investida, o Airbnb trabalhou com parceiros e enviou funcionários ao país, que se aproximaram de cidadãos interessados em oferecer instalações no site. Segundo a Bloomberg, esta equipe se responsabilizou pelas fotos, listagens e descrições dos locais, repassando as reservas, negociações e dinheiro para os locadores.

Ao definir o que seriam estes parceiros, a companhia explicou que estava criando uma rede de "amigos e outros locatários com acesso à web" que estaria facilitando o processo. Para repassar o dinheiro, a companhia contratou os serviços da VaCuba, empresa de Miami que faz tranferências entre famílias que tem membros em Cuba e Estados Unidos.

"O Airbnb tem grandes expectativas de crescimento no país, mas não tem nada oficial para afirmar sobre isso neste momento", afirmou a companhia ao endereçar as questões de dificuldade de acesso à internet.

Outros problemas também se colocam no caminho do Airbnb em relação aos visitantes dos Estados Unidos, já que o país ainda não emite vistos de turismo para o país, restringindo as viagens apenas para fins diplomáticos e de trabalho.