Nova estrutura da Microsoft prioriza as áreas de nuvem, software corporativo e inteligência artificial. Foto: Pixabay.

A Microsoft tem uma nova estrutura organizacional que reforça a importância das áreas de nuvem, software corporativo e inteligência artificial.

Com o novo modelo, a empresa combina as divisões que se concentram em dispositivos e software para empresas, ao mesmo tempo em que transfere a unidade do sistema operacional Windows para a unidade de operações na nuvem.

As mudanças incluem a saída de Terry Myerson, chefe do Windows e veterano da Microsoft, e a indicação de Scott Guthrie para supervisionar os negócios combinados de Windows e nuvem. Rajesh Jha foi nomeado para liderar a recém-criada equipe de Experiences & Devices.

O projeto de reorganização busca encaixar a Microsoft em um mundo onde o PC não é mais o centro da computação. As mudanças refletem o papel cada vez menor do Windows na companhia, à medida que a computação muda seu foco para áreas como nuvem, mobilidade, produtividade e inteligência artificial. 

As movimentações passam a responsabilidade em relação ao Windows para a mesma equipe que gerencia a plataforma Azure. A equipe de dispositivos do Windows passa a atuar junto com o pacote Office, com o objetivo de criar laptops e tablets que atraiam os usuários dos aplicativos da Microsoft, incluindo os programas Word e Excel, e novas ferramentas, como e-mail e Skype.

O novo cenário reflete as mudanças no mercado de PCs, que tem declínio nas vendas há anos. Depois de atingir o pico em 2011, com 364 milhões de equipamento vendidos, o mercado diminuiu a cada ano. A Bloomberg reforça que o esforço da própria Microsoft para revitalizar o hardware, com o lançamento dos dispositivos Surface, não conseguiu reverter esse cenário.

Mesmo assim, a empresa permaneceu relevante e intensificou suas vendas, com o foco em serviços de nuvem e versões por assinatura de suas ferramentas de trabalho. A receita da unidade deve subir 11% neste ano fiscal, para US$ 107,3 bilhões, após crescer 5% em 2017.

Agora, a unidade de nuvem também atuará com a parte do trabalho de inteligência artificial mais ligado aos clientes corporativos. Essa divisão também assume a responsabilidade pelo desenvolvimento de alguns dos produtos de realidade virtual e realidade aumentada da Microsoft.

O novo modelo corporativo da Microsoft reflete a realidade financeira da empresa. Em 2010, os sistemas Windows para PCs foram a maior fonte de receita da companhia, representando cerca de 28% das vendas totais. 

Já no ano fiscal mais recente da Microsoft, o Windows representou apenas a terceira maior fonte de receita, atrás do pacote de software Office e de um grupo de tecnologias corporativas, incluindo o serviço de computação em nuvem Azure. A participação do Windows na receita total da empresa foi de 16%.