O tempo médio do embarque já teve uma redução de 25%. Foto: divulgação.

A Azul, companhia aérea brasileira, está instalando a tecnologia desenvolvida pela Pacer, startup curitibana especializada em aviação, para amenizar as filas de embarque através de um tapete virtual.

De acordo com o site Brazil Journal, o Tapete Azul já estava sendo testado antes da pandemia com o intuito de conforto, mas acabará servindo para reduzir as aglomerações de pessoas e o tempo de embarque na era pós-coronavírus.

Na prática, o sistema projeta um tapete na fila de embarque, indicando a posição exata de cada passageiro na aeronave e o momento em que ele deve embarcar.

O passageiro acompanha o tapete por dois monitores de TV de 49 polegadas, e, se estiver sentado, só se levanta quando seu lugar na fila aparece na tela.

Inspirada no chamado método Steffen, que mescla todos o processos de embarque de maneira matemática, a tecnologia faz o embarque de trás para frente da aeronave, separando por janela, meio e corredor, mas pula três ou quatro fileiras entre os grupos.

Para colocar tudo isso em prática, a Azul está instalando um kit de 12 projetores, quatro câmeras e dois telões em cada portão de embarque.

A história do tapete começou durante uma viagem de avião há um ano e meio, quando Ricardo Pocai, o fundador da Pacer, levou mais de 30 minutos para embarcar no avião numa viagem de Curitiba para São Paulo. 

Na volta, o executivo começou a observar e anotar como era feito o embarque dos passageiros em Congonhas e chegou em casa com o ideia do Tapete Azul praticamente pronta.

“É um sistema inédito no mundo e difícil de desenvolver tecnologicamente. A grande questão é que quando as pessoas sobem no tapete, não é o tapete que se movimenta e faz elas andarem. É o movimento das pessoas que faz o tapete ir se movendo”, contou Ricardo Pocai, o fundador da Pacer, ao Brazil Journal.

Para garantir essa sincronia, a startup criou uma inteligência artificial que, integrada às câmeras do sistema de embarque do portão, registra o movimento das pessoas e manda essa informação para os projetores, que fazem o tapete se mover.

Pocai passou sete meses desenvolvendo o sistema antes de ligar para o superintendente do Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, e pedir para testar a tecnologia no embarque.

Assim que viu o piloto funcionando, a Azul correu pra fechar um contrato de exclusividade de dois anos. Se quiser vender a tecnologia para os concorrentes nesse período, a Pacer terá que dividir a receita com a Azul.

Segundo dados da Infraero, os passageiros ficam cerca de 20 minutos de pé na fila no embarque tradicional. Com o Tapete Azul, essa espera cai para um décimo do tempo. 

Com a tecnologia, o tempo médio do embarque já teve uma redução de 25%, mas a Azul acredita que a produtividade pode chegar a 50% conforme a tecnologia for mais integrada a seus sistemas.

Até o fim do ano, o Tapete Azul deve estar em cerca de 100 portões de embarque de 18 aeroportos do Brasil, cobrindo 70% dos voos domésticos da empresa.

Para o futuro, a Pacer pretende incluir um sistema de biometria facial que vai reconhecer os passageiros enquanto eles estiverem andando no tapete.