Bolsonaro foi alvo de ataque até agora aparentemente inofensivo. Foto: Marcos Corrêa/PR

Pessoas dizendo pertencer ao grupo hacker Anonymous Brasil divulgaram dados pessoais do presidente Jair Bolsonaro, dos seus filhos Carlos, Eduardo e Flávio, além dos ministros Damares Alves e Abraham Weintraub e de aliados próximos como o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) e o empresário Luciano Hang, dono das Lojas Havan.

As informações incluem dados como e-mails, telefones, endereços, perfil de crédito, renda, nomes de familiares e bens declarados. 

Os dados são, em sua maioria, públicos e estão disponíveis em informações prestadas pelos atingidos à Justiça Eleitoral e a órgãos de controle da União.

Nada aparentemente comprometedor surgiu ainda a partir do vazamento. Os dados ficaram apenas minutos no ar antes da conta no Twitter onde foi feita a divulgação ser desativada e o site onde originalmente estavam as informações cair. 

Mesmo assim, as informações foram replicadas e circulam em redes sociais.

Bolsonaro se manifestou sobre o tema pelo Twitter, afimando que "medidas legais estão em andamento".

A conta que vazou supostos dados de autoridades brasileiras estava sem publicar no Twitter desde outubro de 2018. No último domingo, anunciou a volta, dizendo que vazamentos de dados estavam sendo preparados e outras contas reativadas. 

A conta americana, que acumula mais de 4,9 milhões de seguidores, mencionou o presidente Jair Bolsonaro no domingo, pedindo a investigação de supostos laços ilícitos entre Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump.

O governo federal parece ter entrado na mira de hackers.

Se o vazamento de agora chama a atenção pela alta visibilidade dos envolvidos, há menos de um mês outro se destacou pelo volume total de afetados.

Um grupo de hackers, que diz ter entre suas fileiras adolescentes, afirmou em maio ter obtido dados sensíveis de 200 mil militares.

O suposto vazamento foi revelado pelo site Techmundo, que traz com frequência matérias sobre hacks.

Para provar a veracidade da invasão, o grupo tornou pública e disponível para download uma parcela das informações supostamente obtidas nos bancos de dados militares.

O link não está mais disponível, mas a equipe do site viu uma gama ampla de informações, indo desde e-mails institucionais até logins e dicas de senhas, passando por nomes completos, contas bancárias, títulos de eleitor, CPF, nome dos pais, estado civil, nível de escolaridade e religião.

Quando não está sendo atacado, o governo vaza ele mesmo informação por amadorismo.

O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, deixou seus números de RG e CPF à mostra ao publicar seu resultado negativo para covid-19 no Twitter ainda em abril.

A exposição dos dados virou motivo de piada na rede social e foi corrigida cerca de uma hora depois, quando ele republicou a imagem borrando os campos de dados pessoais.

No meio tempo, usuários do Twitter afirmaram ter usado as informações para registrar Heleno como mesário voluntário ou prolongar suas assinaturas da Globo Play.

Natural de Curitiba, o general de 72 anos serviu ao Exército Brasileiro até 2011 e hoje chefia o GSI, órgão responsável pela assistência direta e imediata ao Presidente da República em assuntos militares e de segurança.