Abertura da BITS em 2012. Foto: Divulgação/PMPA

A Hannover Fairs Sulamérica comunicou nesta quarta-feira, 01, a suspensão da próxima da Renex South America, feira de energias renováveis que teria sua segunda edição em novembro em Porto Alegre.

Não foi divulgada uma nova data, o que deixa em aberto a continuidade do evento ou não. A decisão dos organizadores pode significar mais pressão sobre o futuro da BITS, feira focada na área de TI que também acontece na capital gaúcha e encontra dificuldades para emplacar.

“A organização da Renex avalia a necessidade de um melhor momento do mercado de energias limpas no Brasil para a realização do evento”, afirma a organização em nota, destacando também que o “o cenário politico e econômico deste segundo semestre de 2014 também contribuiu”.

A reportagem do Baguete, no entanto, falou com fontes da área que apontaram que não há diferenças significativas do mercado de energias limpas em relação ao ano passado e que os problemas da Renex são mais bem no sentido de atrair expositores e visitantes.

É aí que desenha um cenário preocupante para a BITS. A organização da Renex divulgou que a primeira edição da feira teve 3,5 mil visitantes e gerou US$ 44 milhões em negócios (a título de comparação, a Intersolar, que aconteceu em setembro em São Paulo focando apenas em energia solar, afirma ter atraído 9 mil pessoas).

A BITS, na quarta edição, divulgou negócios de US$ 31 milhões, o que fica abaixo da Renex mais ainda é 2,3 vezes mais do que o evento de 2013, enquanto a visitação caiu 42%, para 7 mil.

Pela primeira vez, a feira divulgou sua metragem exata: 4.439 metros quadrados. Em outros anos, as estimativas ficavam na faixa dos 5 mil e organização falava de dobrar o número para a terceira edição, o que não se cumpriu. 

Uma avaliação mais qualitativa da feira mostra que a grande maioria dos expositores estava em estandes coletivos, com participações subsidiadas por Sebrae, Rede CIN/Apex e os governos de português, indiano, argentino e alemão. 

Os patrocinadores foram quase puramente institucionais, incluindo Sebrae-RS, Prefeitura de Porto Alegre, Procempa e Unisinos. No ano passado, integravam a lista a Totvs e GetNet.

Apenas 15 empresas bancaram seus próprios estandes, todas em áreas de menor destaque. Elas optaram pela opção mais básica, sem os investimentos em apresentação que se viram nas primeiras edições, quando empresas como Locaweb e Teevo apostaram em estandes chamativos. 

Assim como em outros anos, não houve presença de grandes multinacionais de TI.

O cancelamento da Renex parece ser um sinal de uma mudança na estratégia de gestão na Hannover Fairs Sulamérica. Em outubro do ano passado, a Deutsche Messe comprou os 49% de participação restantes na empresa, assumindo o controle total da empresa e de eventos como a BITS, Mercopar e Renex.

Os novos controladores apontaram Valério Regente, ex-Software AG, como novo diretor da Hannover Fairs Sulamérica.

Desde então, parece que a empresa está tirando o pé do acelerador. Além de cancelar agora a Renex, a empresa colocou a MDA, uma feira de máquinas de transmissão para acontecer em paralelo com a  Cemat, uma feira de logística. Ambas ficavam em São Paulo.

A Florestal e Biomassa, com três edições em Lages, passou de ser anual para bianual no ano passado. Restam assim no porfólio a Mercopar, que, com 23 edições, é o carro mais forte da empresa, a Foodtec Brasil, cuja primeira edição aconteceu em agosto e a periclitante Bits

A Bits está com a quinta edição está confirmada, devendo acontecer entre 11 e 13 de agosto de 2015, novamente na Fiergs.

Nas últimas duas edições, os organizadores falaram de uma mudança de foco, dando menos destaque para os estandes e falando mais do das rodadas de negócios dentro do  BITS Business Matchmaking, do número de CIOs presentes no CIO Project (60, três vezes mais do que na última edição) e outras atividades paralelas relacionadas a games, telecomunicações, setor público e entidades. 

Não está claro, no entanto, como rentabilizar o uso de um espaço como o centro de eventos da Fiergs sem expositores, que, no final das contas, pagam a conta.

Desde a primeira edição, na qual contou com um empurrãozinho do fator novidade, a BITS parece sofrer com a indefinição sobre qual é o seu target, com um público dividido entre empresas de informática (as rodadas de negócios são entre companhias de tecnologia), curiosos e relativamente poucos compradores.

O CETI, conselho de entidades de TI do Rio Grande do Sul, já manifestou em nota divulgada à imprensa em julho insatisfação com os rumos da feira, na qual representantes criticaram a falta de público comprador, e, por consequência, o desinteresse das empresas de TI em expor.

As entidades de TI falaram em pressionar os gestores da BITS para organizar uma feira com conteúdo orientado a segmentos de mercado – indústria, varejo, agronegócio – visando usar as entidades setoriais de cada área para atrair visitantes compradores de tecnologia de empresas de menor porte.

Outro ponto seria a concessão de incentivos para a participação de âncoras do setor de tecnologia, capazes de atrair público, o que é mais fácil de ser dito do que feito, uma vez que as maiores empresas tem eventos próprios. 

As demandas das entidades, que tem assento na estrutura de governança formal da feira desde 2012, através do Conselho Estratégico BITS, seriam reunidas em um documento a ser entregue à organização. Segundo pode averiguar a reportagem do Baguete, isso não aconteceu até agora.

Foram quatro anos de negociações até a organização da primeira BITS, em 2011. A vinda de uma feira com a grife da poderosa Cebit alemã foi saudada como uma prova que a indústria de TI do Rio Grande do Sul poderia ter um lugar de destaque no cenário nacional de tecnologia, quiçá latino-americano.

Se uma movimentação rápida não acontecer logo, pode ser que a história acabe sendo bem outra, para não dizer justamente a oposta.