Linha de montagem da WEG. Foto: DIvulgação.

A WEG comprou 51% do capital social da V2COM, empresa especializada em Internet das Coisas e soluções de telemedição para sistemas de energia elétrica e smart grid.

Se essa notícia está lhe causando uma certa dose de déjà vu, é porque não faz um mês a WEG fez uma outra compra, também de 51%, em outra empresa paulista ligada ao mundo de manufatura digital: a PPI-Multitask, especializada em automação industrial. 

A V2COM foi fundada em 2002 por Guilherme Spina, vindo da Claro, onde era gerente de planejamento de dados. A empresa tem matriz em São Paulo e uma fábrica de hardwares em Florianópolis.

O forte da companhia é a área de utilities, com projetos de telemetria, geração de relatórios, análise de perdas e IoT para empresas, concessionárias e prestadoras de serviços de energia elétrica, água, gás, entre outras. 

Especificamente no segmento de concessionárias de energia elétrica, possui sob seu monitoramento ativos que totalizam mais de 30 GW de potência instalada. Com uma equipe de 56 colaboradores, a V2COM faturou R$ 37 milhões em 2018.

A empresa tem por tanto um pé no setor elétrico, a área tradicional da WEG, mas também para onde a gigante catarinense está se movendo, com soluções de sensoriamento com uso de sua plataforma de IoT .

A PPI, comprada no mês passando, tem experiência em integração de sistemas de automação para controle de máquinas e processos industriais, possuindo um dos mais conceituados softwares de MES desenvolvidos no Brasil. 

A companhia também tem soluções de integração de sistemas de automação industrial, Internet das Coisas Industrial e softwares para a indústria, um pacote completo para a chamada Indústria 4.0.

As soluções da PPI fazem a automação da coleta de dados e monitoramento online do chão de fábrica, levando os dados para sistemas do lado de gestão, como ERPs, BIs, SCMs e PLMs. A empresa tem cerca de 100 funcionários com perfil no Linkedin.

Em junho deste ano a WEG anunciou a criação de uma nova estrutura de negócios digitais para acelerar o desenvolvimento de soluções em softwares, embarcados ou externos, aos produtos tradicionais da companhia, bem como transformar em negócio seu sistema de gerenciamento de processos e de manufatura em tempo real.

A nova área é encabeçada por Carlos José Bastos Grillo, um profissional de carreira na empresa, na qual está desde 1997.

O executivo tem a missão de liderar a oferta “Indústria 4.0” da WEG. 

O WEG Motor Scan é um exemplo do tipo de produto que reflete o posicionamento futuro da WEG.

Trata-se de uma nova tecnologia permite que dados sobre o funcionamento dos motores elétricos sejam transmitidos por meio de conexão Bluetooth para os celulares dos encarregados da manutenção ou para equipamentos do tipo gateway, para depois serem retransmitidas para o WEG IoT Platform, onde estão disponíveis várias ferramentas de gestão da planta.

O WEG Motor Scan já monitora diversas aplicações em duas unidades fabris da WEG em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, incluindo exaustores, esteiras transportadoras, jatos de granalha, recirculadores de ar, compressores e bombas hidráulicas.

Com base nos dados capturados e enviados para a nuvem, é possível tomar decisões mais rápidas e assertivas principalmente nos casos de manutenção preditiva, garantindo maior eficiência e vida útil do motor.

Fundada em 1961, a WEG é uma empresa global de equipamentos eletroeletrônicos, atuando principalmente no setor de bens de capital com soluções em máquinas elétricas, automação e tintas, para diversos setores, incluindo infraestrutura, siderurgia, papel e celulose, petróleo e gás, mineração, entre muitos outros.

Com operações industriais em 12 países e presença comercial em mais de 135 países, a companhia atingiu faturamento líquido de R$ 9,5 bilhões, em 2017, dos quais 56% foram provenientes das vendas realizados fora do Brasil.