Tiago Ritter.

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Tiago Ritter, um dos sócios fundadores da agência digital W3Haus, deixou o cargo de CEO da empresa, adquirida em julho do ano passado pela Stefanini.

Em nota, a Stefanini divulgou que Ritter agora vai “investir em projetos fora do país”, mas segue no conselho e mantém “proximidade estratégica” com o grupo Stefanini.

O comando da W3Haus será dividido entre Guilherme Natorf, COO, e Rafael Macedo, VP de Operações, que são sócios e tem 15 anos de casa cada um.

Natorf e Macedo, por outro lado, não pertencem ao trio original de fundadores que formavam a cara mais visível da W3Haus. 

Além de Ritter, ele inclui também Francisco Baldini, que saiu logo da compra pela Stefanini para embarcar numa carreira de artista plástico e Alessandro Cauduro, que segue no negócio atuando como CIO.

“Considerei ser este um bom momento de parar um tempo para buscar novas inspirações e referências, diminuindo minha atuação executiva e focando num papel mais estratégico para o grupo”, afirma Ritter.

A saída de Ritter acontece em um contexto de reorganização das aquisições da Stefanini na área de marketing digital, ou, como o pessoal gosta de dizer agora “martech”.

Em maio, a Stefanini anunciou que Gauge, Inspiring e as integrantes da holding Haus (W3haus, Huia, Brooke e CAPS), passam a atuar debaixo do que a empresa chama uma “plataforma de marketing digital” chamada Haus, sob o comando de Guilherme Stefanini.

Como dá para imaginar, Guilherme Stefanini é filho de Marco Stefanini, o fundador da Stefanini. 

Nos últimos tempos, Guilherme vem ganhando espaço na área de marketing digital da empresa, tendo assumido ainda em março o comando da Gauge, consultoria de performance e experiência do usuário adquirida pela gigante brasileira de tecnologia em 2017.

“Agradeço ao Tiago Ritter pela liderança exercida ao longo desses 21 anos e que contribuiu de maneira significativa no posicionamento que a W3haus ocupa no mercado. Temos certeza de que fica um grande legado de colaboração e aprendizado, que norteará o crescimento constante da empresa”, afirma Guilherme Stefanini

A W3Haus teve um bom ano, com um crescimento de receita de 60% e um salto de 88% no time, que chega agora a 240 colaboradores nos escritórios de Porto Alegre e São Paulo. 

Fundada em 2000 em Porto Alegre (mais ou menos ao mesmo tempo que o Baguete), a W3Haus foi uma das pioneiras do mercado digital brasileiro e era, até a compra pela Stefanini, uma das maiores agências digitais independentes do país.

Agências digitais independentes de grande porte são uma espécie extinta ou em vias de extinção.

Ao longo da última década, empresas com esse perfil foram compradas aos balaios por grandes companhias de marketing e propaganda, ansiosos por adquirir conhecimento no meio digital.

De uns tempos para cá, o grupo dos compradores ganhou o acréscimo de grandes players de TI, como a Stefanini, interessados no aspecto experiência de usuário de grandes projetos de transformação digital.

Em 2017, CI&T, uma grande empresa brasileira de desenvolvimento de software, adquiriu a Comrade, consultoria especializada em estratégias e design de experiências digitais situada na Califórnia. 

A empresa aprofundou sua aposta na área ao contratar Bob Wollheim, um nome muito conhecido no mercado de comunicação e empreendedorismo digital no país, como novo Chief Strategy Officer (CSO).

O braço Accenture Interactive incorporou a agência digital New Content, que tinha 430 funcionário à época do negócio, em outubro de 2018.

A Stefanini é uma empresa muito maior e com uma cultura muito mais identificada com o mercado corporativo. Ela fechou o ano de 2018 com um faturamento de R$ 3 bilhões, uma alta de 7% frente aos resultados do ano anterior.

O faturamento do ano passado ainda não foi divulgado, mas a empresa afirma que a receita do Grupo Stefanini oriunda das ofertas digitais cresceu 35% no período, sendo que a Stefanini Ventures teve uma grande representatividade no resultado.