Gustavo Henrique Busnardo

A Ouro Verde, empresa de Curitiba especializada em locação e gestão de frotas, é um dos clientes pioneiros e o maior case de implantação no Brasil do Annata, sistema de gestão especializado criado por uma companhia da Islândia.

É isso mesmo: o ERP, uma adaptação especializada do Dynamics AX do Microsoft vem da Islândia, a pequena ilha com uma população de 300 mil habitantes nas proximidades do polo Norte.

As origens do software merecem um pouco mais de explicação. O AX é oriundo da Navision e Damgaard, duas aquisições feitas pela Microsoft na Dinamarca em 2002. 

Na época, as empresas tinham uma rede de parceiros e desenvolvedores espalhados pela região nórdica, da qual um dos mais destacados era a Annata.

“Deu trabalho para implementar o software, mas foi a melhor opção disponível para a empresa”, resume Gustavo Henrique Busnardo, gerente de TI da Ouro Verde, uma companhia com faturamento de R$ 1 bilhão no ano passado.

Dois fatores pesaram na decisão pelo Annata. O primeiro foi o fato da Ouro Verde já ter implementado, em 2013, o AX para as áreas de backoffice e compras.

Assim, o Annata foi implantado substituindo quatro sistemas legados usados para funções como gestão de manutenção e de frotas, com a complicação adicional de que a Ouro Verde é um dos poucos players que atua com veículos leves e pesados, ramos com regras de negócios bem diferentes.

Como o Annata é baseado no AX, integração entre as áreas de backoffice e negócios funciona de maneira nativa, o que tem gerado ganhos estratégicos para a Ouro Verde.

“Temos agora um processo de billing muito mais sofisticado, com um fluxo integrado começando na proposta, passando pela ordem de compra e os contratos”, explica Busnardo.

Chegar lá não foi simples. A pesquisa sobre opções no mercado de ERP para as áreas core da Ouro Verde começou em 2013. Ligando para colegas CIOs ao redor do mundo, Busnardo soube do Annata, chegando a visitar a sede da empresa em Reykjavík.

Em busca de cases de sucesso latino americanos, Busnardo encontrou o Grupo Minvest, o maior distribuidor da Hyundai no Chile, com faturamento na faixa dos US$ 1,5 bilhão.

“O case deles mostrou que a vantagem não estava só na integração Annata e AX. O Annata foi melhor nas provas de conceito que soluções equivalentes da SAP e Oracle”, revela Busnardo.

O projeto, com consultoria da brasileira Inove, especialista em projetos AX, e da chilena Congroup (que já havia feito a implantação na Minvest), além dos 50 colaboradores da TI da Ouro Verde, começou para valer no final de 2014. 

Além da implementação do Annata, a Ouro Verde também fez uma atualização para a última versão do AX, chegando a ter as versões 2009 e 2012 rodando em paralelo, o que foi um desafio técnico.  O investimento totalizou R$ 15 milhões.

“O nosso objetivo foi fazer uma entrega de funcionalidades modular, com ciclos curtos e interação com os clientes. Quis evitar um grande turn key que pudesse prejudicar a operação”, Busnardo.

O executivo está na Ouro Verde desde 2011, vindo de uma carreira longa na GVT, onde entrou em 2000, passando por diversas posições até ser gerente de sistemas.

A contratação fez parte de uma modificação ampla da companhia, que começou como transportadora em 1973. Em 2008 começou um processo de profissionalização e governança corporativa, dentro do qual o faturamento aumentou 10 vezes.