Luiz Ricardo Berezowski, diretor de novos negócios da Positivo Tecnologia. Foto: divulgação.

A Positivo Tecnologia, fabricante paranaense de equipamentos como PCs e smartphones, apostou no modelo de desenvolvimento ágil e está implantando a metodologia com a consultoria especializada Mooven. 

A abordagem, que é usada normalmente para desenvolvimento de software, está sendo usada na Positivo para acelerar a criação e a venda de novos produtos de hardware.

“A gente precisa lembrar que a metodologia ágil nasceu do mundo de software, tem algumas características mais voltadas para esse mundo, então queríamos aprender para poder extrair o que ela tem de melhor”, destaca Luiz Ricardo Berezowski, diretor de novos negócios da Positivo Tecnologia.

O projeto teve início no final de 2019 e começou a ser implantado em janeiro de 2020 a partir de áreas-chave relacionadas a novos negócios. 

A primeira delas foi a Positivo Casa Inteligente, voltada ao mercado de smarthome, que desenvolve produtos como sensores, lâmpadas e tomadas inteligentes para automação residencial — e conta com 13 pessoas.

As áreas de e-commerce, com 25 pessoas, e de pequeno e médio varejo, com 17, também passaram por esse processo que, mais recentemente, começou a ser replicado em áreas do core business — além da unidade de locação, que está em processo de desenvolvimento.

“Decidimos iniciar com algumas áreas, testando o modelo e sentindo os resultados da metodologia para aprender como ela dialoga com a nossa realidade interna e, depois, ir replicando em outras áreas de uma maneira mais assertiva”, conta Berezowski.

No processo de implantação em cada área, é realizado um diagnóstico com o estabelecimento de objetivos e resultados-chave (OKRs). Na Casa Inteligente, um dos OKRs definidos foi o desenvolvimento de novos mercados, com ações como a parceria com grandes construtoras.

Após a fase de diagnóstico, é gerado um plano de implantação da metodologia com a divisão de squads que fizer sentido em cada caso.

A Casa Inteligente, por exemplo, está dividida em duas squads, sendo uma delas voltada para desenvolvimento de produto e outra para a entrega daquele produto ao mercado. Supervisionando as duas equipes, há o tribe leader, gerente da unidade de negócios.

Cada squad tem, então, um product owner, como uma equipe dedicada, além de haver uma equipe de suporte da consultoria que ajuda na metodologia. Dentro dessa estrutura, há o agile master e o agile coach — para garantir que a metodologia continue avançando e seja totalmente absorvida pela companhia.

Neste processo, a Mooven tem uma equipe dedicada à Positivo e realiza uma rotina de cerimônias e reuniões semanais ou diárias para poder garantir que a metodologia esteja avançando. 

Um dos projetos já desenvolvidos com a nova metodologia é o das fitas de led inteligentes, dispositivos que iluminam ambientes internos e são controlados através de smartphones ou ativadas por comando de voz com o Google Assistente ou com a Alexa, da Amazon.

Com o desenvolvimento ágil, a métrica de entrega da Casa Inteligente passou a ser de cinco dias, além de um pacote de demandas referente às áreas de e-commerce e varejo ser entregue a cada duas semanas.

Segundo a empresa, a taxa de entrega de itens planejados era 41% em julho de 2020 e, hoje, está na média de 71%.

Já a receita da Casa Inteligente atingiu R$ 67 milhões em 2020, quase 50% a mais que a meta estipulada para aplicação da metodologia, que era de R$ 45 milhões.

Nos três primeiros trimestres do ano, o faturamento da Positivo Tecnologia foi de R$ 1,5 bilhões, crescimento de 1,3% em relação aos mesmos trimestres de 2019.

A empresa diz estar bastante satisfeita com os resultados efetivos do projeto, com OKRs em 70%, 80% ou superados e obtendo uma boa receptividade das equipes — que já solicitam espontaneamente a implantação em suas áreas.

Com a chegada da pandemia e o home office, a implementação foi importante para o relacionamento entre a empresa e seus colaboradores, que levaram três meses para se adaptar à metodologia. Ela teria funcionado como uma ferramenta de aproximação entre os times e a gestão.

“As próprias equipes que estão trabalhando na forma de ágil reportam que têm enfrentado o período em home office de uma forma bastante tranquila. A gente nota impactos positivos em termos de cultura, engajamento e assim por diante”, conta o diretor de novos negócios da Positivo Tecnologia.

O engajamento das equipes subiu de 4.0 em fevereiro de 2020 para 8.1 em setembro do mesmo ano. No mesmo período, as equipes aumentaram em média 7.7 pontos nos aspectos de cultura, liderança e colaboração.

Para o futuro, a ideia da Positivo é seguir expandindo a metodologia para outras áreas, especialmente nos novos negócios e no core business, com as equipes de corporativo, governo, suprimentos e outras áreas afins, até torná-la parte da cultura da empresa como um todo. 

Fundada em 1989, a Positivo Tecnologia conta com 2 mil colaboradores e teve receita de R$ 1,35 bilhões em 2019 com as marcas Positivo, Vaio, Quantum, Positivo BGH, Positivo Casa Inteligente, Anker, 2AM e Accept.

Já a paulistana Mooven foi criada em 2016 e conta com mais de 150 colaboradores. A empresa possui 30 contratos ativos com clientes como Itaú, Rede, BTG Pactual, Carrefour, Tegma, Pernambucanas, Livelo, B3 e Suzano.