Executivo da Amazon anuncia o fim da Oracle na empresa.

A Amazon fez uma pequena comemoração, com direito a discursos e um funcionário fantasiado, para festejar o que disse ser o desligamento do último banco de dados Oracle usado na empresa.

A festa aconteceu na Amazon Fulfilment, o braço da Amazon que faz a logística de entrega de produtos de fornecedores terceiros.

No ano passado, o chefão da AWS, a companhia de cloud da Amazon, disse que a Amazon Retail, que vende os produtos dos estoques da própria Amazon, já tinha desligado o último data warehouse da Oracle e estaria totalmente livre da concorrente até o Natal.

A Amazon Fulfilment agora também está 100% na AWS, usando Aurora Postgres e  DynamoDB.

O CTO da Amazon compartilhou no Twitter o vídeo da festa, na qual foi feito o desligamento do último banco de dados Oracle. 

Em agosto de 2018, fontes da Amazon disseram à CNBC que a meta era deixar de usar Oracle até 2020. Na época a Oracle contra atacou dizendo que a Amazon tinha feito uma compra de US$ 60 milhões ainda no ano anterior.

A Amazon não fez nenhum post técnico detalhando a migração em termos mais técnicos. 

A festa faz parte de uma escalada de provocações entre as duas empresas que já dura anos, indo desde piadinhas em keynotes até uma briga judicial por um contrato de US$ 10 bilhões com o Pentágono.

A Amazon provavelmente usava bancos de dados Oracle desde muito antes da AWS se tornar a potência que é hoje.

O fato de que a companhia seguia usando Oracle era usado sempre que possível pelo fundador da Oracle, Larry Ellison, como a prova de que a AWS não era um player sério no corporativo.

Elisson, aliás, gosta de dizer a mesma coisa de outros concorrentes como Salesforce e SAP.

Com a SalesForce e a SAP a Oracle compete em aplicações empresariais em mais ou menos pé de igualdade, mas a AWS é um competidor muito mais recente que assumiu a liderança na nuvem pública pelo que muitos analistas avaliam ser uma dormida no ponto da Oracle.

Além da competição na nuvem, a AWS lançou em 2014 o banco de dados relacional Aurora, que já emplacou clientes como Expedia, GE e Verizon. 

Em novembro do ano passado, o Andy Jassy, CEO da AWS, resolveu provocar o chairman da Oracle, Larry Ellison, durante o keynote de abertura da conferência mundial da AWS.

Jassy mostrou um gráfico de pizza com as participações de mercado de diferentes players no mercado de nuvem. Elisson aparece olhando para a participação da Oracle, que está na categoria “outros”.

De acordo com os dados citados por Jassy, que batem com a média das pesquisas, a AWS tem 51,8% do mercado de nuvem pública, seguida de longe por Microsoft com 13.3%, Alibaba com 4.6% e Google com 3.3%.

“Os bancos de dados da velha guarda como Oracle e SQL são caros e não servem aos consumidores. As pessoas estão de saco cheio deles e agora tem uma escolha”, disparou Jassy.

A provocação de que os clientes não aguentam mais o banco de dados da Oracle também tem algo de substância.

Uma pesquisa recente da JP Morgan com 154 CIOs mostrou que só 2% apontaram a Oracle como seu principal vendedor de nuvem, 27% disseram Microsoft e 12% a Amazon Web Services.

A nota do JP para os seus clientes, divulgada em parte pela CNBC, aponta ainda que os CIOs disseram que estão migrando dos bancos de dados da Oracle para Microsoft SQL Server, Amazon databases e PostgreSQL.

Na última conferência mundial da Oracle, Elisson resumiu o modelo de negócios da AWS por meio de uma comparação com os carros semi autônomos: “Você entra, você começa a dirigir, você morre”.

É uma alusão a acusação frequente de que a AWS facilita a entrada dos seus clientes na nuvem, mas complica a saída ao ponto de gerar um “lock in”, o que, vamos ser sinceros, é o modelo de negócio de boa parte da indústria de tecnologia no final das contas.

Talvez Alisson deva deixar a AWS para lá e começar a se preocupar com o Google. 

Em março, Amit Zavery, VP de Oracle Cloud Platform (PaaS), Middleware, Analytics e Java da Oracle, foi contratado pelo Google para assumir o cargo de VP de Engenharia.

É uma contratação e tanto: Zavery é um executivo com 25 anos de Oracle e era o número 1 para o assunto nuvem na empresa desde a saída em setembro do ano passado de Thomas Kurian, ex-presidente de desenvolvimento de produto da Oracle.

Kurian, outro veterano de duas décadas de Oracle, uma das figuras mais influentes da companhia nos últimos anos e cotado para um dia ser o CEO, foi contratado pelo o Google meses depois.

Provavelmente, foi decisão de Kurian contratar Zavery, o que pode ser um sinal de uma debandada maior da Oracle em direção ao Google.