Cristian Cavalheiro, que passará a dedicar-se integralmente ao projeto de internacionalização da Getnet.

O Santander promoveu uma grande mudança nos quadros de gestão da Getnet, em um momento que parece ser a fase final da digestão da aquisição da processadora de pagamentos gaúcha.

As modificações foram anunciadas pelo presidente da Getnet, Pedro Coutinho, em um comunicado interno ao qual o Baguete teve acesso e que pode ser visto na íntegra abaixo.

"É verdade que temos ambição de propósito!", inicia Coutinho, usando os chavões empresariais de momento.

Depois, de maneira algo mais clara, Coutinho destaca que "o que nos trouxe até aqui não irá garantir nosso futuro", o que envolve "transformar a Getnet em uma plataforma global do Santander".

A meta foi estabelecida pela presidente do Santander, a espanhola Ana Botín, durante visita ao Brasil no começo de 2018.

O movimento acontece meses depois do Santander se tornar dono de 100% da Getnet, ao adquirir os 11,5% nas mãos do fundo Manzat e de Guilherme Alberto Berthier Stumpf por R$ 1,43 bilhão. Em 2014, o banco já havia pagado outro R$ 1,1 bilhão para adquirir o controle do empresário gaúcho Ernesto Correa.

Correa bancou a fundação da empresa no início dos anos 2000 e ela desde o começo tinha o próprio Santander entre seus maiores clientes.

Depois de adquirir o controle, em 2014, o Santander começou a mudar os quadros da Getnet, trazendo por exemplo Pedro Coutinho, vice-presidente de desenvolvimento de novos negócios do banco, para assumir a presidência no lugar de José Renato Hopf.

Hopf foi quem vendeu o conceito da Getnet para Correa, um empreendedor que começou no ramo de calçados e cuja fortuna só é superada pela sua discrição. Hopf foi o fundador e a cara visível da GetNet. Hoje, ele está engajado na 4all, um outro projeto igualmente ambicioso.

A primeira modificação anunciada por Coutinho diz respeito a outra cara conhecida da Getnet, o atual vice-presidente de tecnologia, Cristian Cavalheiro, que passará a dedicar-se integralmente ao projeto de internacionalização da Getnet.

“Cristian, com 15 anos de dedicação e consolidação da área core da companhia, é sem dúvidas a pessoa mais indicada para levar o modelo bem sucedido da empresa para outros países", afirma Coutinho na nota.

A nota não chega a deixar claro com que cargo Cavalheiro vai executar a tarefa ou respondendo a que organização.

Cavalheiro ingressou na Getnet no começo das operações, em 2003, como diretor de tecnologia, tendo assumido o cargo de VP depois da entrada do Santander.

O executivo foi analista de sistemas no Exército entre 1990 e 1997 e contratou alguns ex-colegas, o que dava a tônica das operações de TI do Getnet.

As outras modificações dizem respeito a executivos contratados mais recentemente.

Plínio Patrão, atual vice-presidente de operações da Getnet, assumiu a gestão das áreas de tecnologia. 

Patrão está há dois anos na Getnet, vindo da Cielo. Ele também tem passagens por Redecard e Itaú, sempre em áreas de tecnologia e operações.

Marcello Zappia, atual vice presidente de gente & gestão, passa a liderar a Toque Fale, empresa de call center da Getnet, assumindo a unificação dos clientes Getnet com os clientes pessoa jurídica do Santander.

Zappia é outro executivo de mercado trazido pelo Santander para a operação da Getnet em 2015, com passagens por Mafrig, Tecnisa e Tivit.

O Santander conseguiu dobrar a participação da GetNet no mercado de cartões no país, hoje em 14%, tornando a empresa uma competidora dos líderes Cielo e Rede e deixando a empresa numa posição sólida frente a novos concorrentes como PagSeguro e Stone.

De um ponto de vista mais bairrista, as modificações em curso devem ser vistas com preocupação pelas companhias gaúchas de TI, muitas das quais foram ou são fornecedoras da GetNet.

A operação cuja operação ficava sediada em Campo Bom, uma cidade de 60 mil habitantes nas imediações de Porto Alegre onde Correa montou seus primeiros negócios.

O time executivo da TI da Getnet, incluindo o próprio Cristian Cavalheiro, era um participante ativos das entidades de tecnologia gaúcha e acessíveis aos fornecedores locais.

Agora o comando está sendo assumido por profissionais sem contatos com esse networking, e, em tese, muito mais dispostos a unificar a estrutura de TI da Getnet com o do Santander em São Paulo, que é o que faz sentido econômico. 

Um exemplo nesse sentido é o da Gerdau, outra grande compradora local, que dois meses depois de trazer um executivo de fora da família para comandar a operação transferiu sua sede para São Paulo.

Os otimistas podem apontar para o fato de que a Getnet decidiu em 2016, já sob o comando do Santander, abrir um unidade de pesquisa e desenvolvimento no Tecnopuc, parque tecnológico da PUC-RS em Porto Alegre.

A empresa ocupa um espaço de 400m² com a proposta de criar um laboratório de inovações em tecnologia financeira.

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