Funcionários decidiram entrar em greve durante assembleia. Foto: Sindppd-RS.

A Procergs, estatal gaúcha de processamento de dados, entra em greve por tempo indeterminado nesta terça-feira, 03.

De acordo com o Sindppd-RS, sindicato que representa os funcionários da empresa, a decisão foi apoiada por 400 colaboradores presentes em assembleia (ao todo, a Procergs tem cerca de 1,1 mil funcionários) realizada nesta segunda, 02. 

Os grevistas pedem um reajuste de 7,3% nos salários e nos benefícios, sendo destes  2,56% relativos à inflação acumulada em 2017 e 4,53% são a reposição da inflação do ano passado, quando o governo do estado fez um acordo para pagar metade do INPC naquele ano e outra metade no ano seguinte o que acabou não acontecendo.

O sindicato menciona ainda a “retirada de direitos” do acordo coletivo da empresa, sem entrar em detalhes específicos. 

Finalmente, a greve é também contra o projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa propondo um plebiscito sobre a privatização ou federalização de órgãos e empresas públicas gaúchas.

Embora a pedida salarial do Sindppd-RS possa parecer modesta à primeira vista, ela deve ser avaliada contra a situação financeira do estado como um todo.

O governo estadual vem pagando o funcionalismo público em parcelas desde fevereiro de 2016 (os empregados da Procergs, contratados em regime CLT, recebem os salários em dia).

No final de setembro, o governo gaúcho anunciou o pagamento integral para quem ganha até R$ 1.750 líquidos, cerca de 40% do funcionalismo do Poder Executivo.

Os salários do mês de agosto foram quitados no último dia 13 de setembro. A primeira parcela paga aos servidores nessa ocasião foi a menor desde que o parcelamento entrou em vigor: R$ 350.

Os pagamentos motivaram protestos, e até registros de boletins de ocorrência por professores e outros servidores pelo estado.

Nesse cenário, parece muito pouco realista esperar que o governo gaúcho vá comprar uma briga com o resto do funcionalismo reajustando os salários da Procergs, independente do que possa ter sido acordado no ano passado.

A Procergs é responsável por manter sites e serviços online de secretarias e de órgãos estaduais, entre eles os sistemas Tudo Fácil, do Detran, da Polícia Civil e da Brigada Militar, agendamento de consultas pelo SUS da Secretaria Estadual de Saúde e arrecadação da Secretaria da Fazenda. 

A empresa também opera o sistema de nota fiscal eletrônica gaúcha e faz o mesmo como prestação de serviço para outros estados.

A Procergs tem entrado em greve mais ou menos uma vez durante cada governo estadual na última década, sem que nunca a prestação desses serviços tenha sido comprometida, no entanto.