Wizard é a jóia da coroa do Grupo Multi. Foto: divulgação

Tamanho da fonte: -A+A

A Pearson comprou o Grupo Multi, dono das marcas de cursos de inglês Wizard, Yázigi e Skill, entre outras, por um total de quase R$ 2 bilhões.

O valor irá para a da família Martins, sócia majoritária da empresa com 78%, e da companhia de investimento Kinea. Os ingleses pagarão R$ 1,7 bilhão e assumem dívidas de R$ 250 milhões.

A transação está sujeita a uma revisão regulatória que a Pearson espera que se complete no primeiro semestre de 2014. Em 2012, o Grupo Multi registrou um lucro operacional de R$ 130 milhões e tinha ativos de R$ 667 milhões.
 
O Grupo Multi é o maior provedor de cursos de inglês no Brasil, atendendo mais de 800 mil alunos pelas suas 2,6 mil escolas franquiadas. O grupo brasileiro foi um consolidador no mercado de cursos de idomas, capitalizado pelo private equity da Kinea, empresa de investimentos alternativos do banco Itaú.

A Pearson tem aproximadamente 600 mil alunos de inglês estudando em mais de 250 unidades próprias e 350 franquias pelo mundo.

No Brasil, a empresa é dona da franquia  Wall Street English e já chega a 500 mil alunos nos segmentos de Educação Infantil e Básica.

Segundo divulga a Pearson, o Brasil é um dos maiores mercados em aprendizado de inglês, estimado em R$ 7,3 bilhões com um total de 2,8 milhões de alunos matriculados em cursos.

Os compradores apostam em uma demanda reprimida baseada no índice de fluência de inglês no Brasil, considerado baixo se comparado aos parâmetros internacionais, mesmo em segmentos nos quais a proeficência seria importante, como turismo, transporte e hotelaria.

A nota não menciona quais são os planos da Pearson para as franquias de formação profissional da Multi, como SOS, Bit Company e Microlins.

Esta última, aliás, esconde um belo abacaxi que os novos donos do Grupo Multi terão que descascar.

Em um processo que corre na Justiça paulista a Best Software, de Barueri, acusa a Microlins de ter usado e vendido ilegalmente milhares de licenças do seu software de ensino de digitação e pede uma indenização de R$ 1 bilhão.

A soma foi calculada pelos advogados da empresa a partir do lucro presumido obtido pela Microlins com o uso do produto  ao longo de 10 anos em suas franqueadas.

Aparentemente, a Pearson acredita que poderá fechar um acordo por uma fração desse valor. Parte da estratégia da Best para fazer avançar a negociação era frisar o prejuízo que a existência de um passivo judicial poderia causar em caso de abertura na bolsa ou venda.

Bom, agora isso já aconteceu.