Secretaria fica no Centro Administrativo do Estado. Foto: sarh.rs.gov.br

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação deverá ficar nas mãos de um técnico e não de um político indicado pela base aliada do futuro governador José Ivo Sartori (PMDB).

É o que indicou a colunista de política de Zero Hora, Rosane de Oliveira, que publicou uma lista de potenciais candidatos para as secretarias, na Zero Hora desta quarta-feira, 03.

A lista de pouco mais de 20 nomes encerra com a SCTI e o texto “será ocupada por um técnico, como no atual governo”.

Pouca informação tem vazado até o momento sobre a montagem do secretariado, mas, de acordo com Rosane, Sartori está ouvindo empresários, líderes políticos e conselheiros. O anúncio final será perto do dia 15.

Alguns nomes já circulam no meio de tecnologia gaúcho. Na semana passada, o Baguete enviou um e-mail para cerca de 30 empresários, expressões do meio acadêmico e ex-dirigentes de entidades pedindo o nome de três favoritos para a posição.

Newton Braga Rosa, ex-diretor da InovaPoa, e Júlio César Ferst, atualmente à frente do Tecnopuc em Viamão, foram os mais citados com 11 votos cada. 

Os pesquisados citaram a vasta rede de contatos dos dois no meio acadêmico e empresarial, entre os quais o secretário de Ciência e Tecnologia precisa circular, além da experiência prévia dos dois na área pública.

Tanto Rosa como Ferst são nomes politicamente viáveis e com experiência de governo. Vereador pelo PP de Porto Alegre, Rosa liderou a criação da Inovapoa, da qual saiu em 2012. 

Ferst foi diretor técnico da SCIT durante boa parte do governo Yeda Crusius (PSDB) chegando a liderar a secretaria em meio a um período de grande troca-troca de políticos na pasta na pasta.

Jorge Luis Audy, pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento da PUC-RS, aparece próximo aos líderes, com sete votos (Audy é um nome recorrente nesse tipo de pesquisa, mas parece não ter interesse em assumir o cargo, tendo declinado convites antes). 

Susana Kakuta, diretora executiva do Tecnosinos, foi mencionada quatro vezes, e Ricardo Felizzola, CEO da HT Micron e vice-presidente da Fiergs, três. Susana foi presidente do Badesul no governo Yeda e é respeitada no meio empresarial, assim como Felizzola.

A nomeação de um técnico é a demanda do setor de TI gaúcho como uma forma de garantir a continuidade de programas como o PGTec. 

A iniciativa de financiamento do desenvolvimento de parques tecnológicos que deu seus primeiros passos no governo Yeda Crusius (PSDB) liderado por técnicos da secretaria e continuou durante todo o governo Tarso Genro (PT), quando a secretaria de SCTI foi liderada por Cleber Prodanov.

“Os políticos são bem intencionados, mas demoram seis meses só para conhecer a nomeclatura do setor. Seis meses depois, eles vão embora para outro cargo e o processo começa de novo”, disse ao Baguete uma fonte ligada ao meio de inovação gaúcho que preferiu não se identificar.

Ex-pró-reitor de Inovação da Feevale, Prodanov tornou-se o recordista de permanecimento no cargo (todos os 48 meses do governo Tarso) superando em 10 meses o recordista anterior, Kalil Sehbe, nomeado pelo então governador Rigotto (PMDB).

A análise da fonte foi precisa: Prodanov ficou no cargo três vezes e meia mais do que a média de permanência desde a criação da secretaria, que é de apenas 14 meses.

Em abril desse ano, a reportagem do Baguete averiguou que o valor total disponibilizado por meio da SCIT e da Fapergs no Rio Grande do Sul chegava a R$ 436 milhões, dos quais já haviam R$ 203 milhões já foram transferidos para empresas, universidades e centro de pesquisa (a expectativa era chegar até o final do ano com R$ 240 milhões).