Lume é uma aposta na Indústria 4.0.

A Sequor, empresa sediada em Porto Alegre especializada em software para a indústria, quer dar um salto com lançamento do Lumen, uma plataforma para desenvolvimento de Internet das Coisas.

O Lumen é a primeira grande tacada da Sequor depois de ter vendido o controle para a SNEF, uma gigante francesa com atuação nos setores de energia, processos industriais, telecomunicações e tecnologia da informação

O novo produto foi desenvolvido com investimento de US$ 2 milhões, aos quais se devem somar outros US$ 3 milhões captados junto à Finep em 2019.

O Lumen é um produto de aplicações diversas, mas o forte da Sequor é o lado industrial. 

A plataforma recebe informações de sensores instalados na linha de produção, mas também de softwares de gestão empresarial, de produção e de ciclo de vida de produto, para serem analisados por algoritmos de machine learning criados pela Sequor.

Com informações oriundas direto da linha de produção e de outras ferramentas de controle, o Lumen cria o que se chama na indústria de “digital twin”, uma reprodução digital do comportamento da fábrica que permite antecipar problemas ou testar configurações alternativas.

Essa abordagem, que põe em prática os conceitos de Indústria 4.0, é a mesma que grandes players no mercado de soluções para indústria como Siemens e Dassault Systemes prometem entregar.

“Nosso modo de trabalhar é pensar complexo, resolver simples e ser barato para o cliente final”, assegura Alpheu Cardoso, CEO da Sequor. 

De acordo com Cardoso, a companhia vai ser agressiva na precificação do software, disponível na nuvem da AWS e também para instalação on premise, oferecendo funcionalidades de forma modular e sempre visando que o cliente analise o máximo de informações possível.

Cardoso tem um histórico na área de desenvolvimento para companhias de automação industrial e comercial e fundou a Sequor em 2005, visando inovar na área de software para gestão industrial.

Hoje a empresa tem 70 funcionários, divididos meio a meio entre profissionais de software e de mecatrônica e um faturamento na casa dos R$ 7,5 milhões.

“Nós começamos com conceitos de Indústria 4.0, big data e outros antes desses termos existirem e se tornarem tão conhecidos como hoje”, afirma Cardoso.

O salto de qualidade para a Sequor, do qual o lançamento do Lumen faz parte foi a venda de 51% da empresa para a gigante SNEF no começo do ano. 

Em carreira solo, a Sequor já havia conquistado grandes clientes como Honda Automóveis, Stara, AGCO, Midea-Carrier, DANA e Stihl. 

Fazer parte da SNEF, no entanto, colocou as coisas em outro nível, permitindo a entrada em disputas por clientes que estabelecem restrições a fornecedores de menor porte, além de ampliar o pool de talentos disponível e abrir portas para internacionalização.

O grupo SNEF, com sede em Marselha e mais de 10 mil funcionários distribuídos em 120 filiais, alcançou faturamento global superior a € 1 bilhão no ano passado.

No Brasil, a SNEF está presente com 1 mil colaboradores e 250 clientes. A presença da companhia no país foi impulsionada em 2010, com a aquisição da empresa mineira Energ Power.

O Lumen tem um kit de desenvolvimento de aplicações e a ideia da Sequor é criar um programa de canais de três níveis para levar o produto a outras áreas, como automação de gestão de prédios e até usuários domésticos que queiram criar casas inteligentes.

Ao mesmo tempo em que foca no desenvolvimento do Lumen, a Sequor também tem se expandido regionalmente pelo país.

Recentemente, a empresa abriu uma unidade em Caxias do Sul, na serra gaúcha, para atender um grande projeto em curso na Randon.

A empresa tem planos de chegar em outras regiões altamente industrializadas do país, incluindo Joinville, Manaus e Belo Horizonte.