Luiz Francisco Gerbase e João Ricardo Wagner de Moraes. Foto: Fredy Vieira

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A Tramontina acaba de lançar o Guru, um fogão com tampa de vitrocerâmica que aposta em tecnologia embarcada da Ayga, uma startup gaúcha focada em Internet das Coisas.

O fogão, ou cooktop como esse tipo de produto é chamado, vem com sensores embarcados e conectividade bluetooth e Wi-Fi, permitindo que ele envie avisos para um app, a partir do qual também é possível fazer um controle remoto.

Uma aplicação prática é acompanhar os diferentes pontos de cozimento (o equipamento sabe a quantidade de ingredientes e a temperatura exata dentro da panela) das receitas disponíveis no app, por exemplo. 

O cooktop é portátil, e, de acordo com o marketing da Tramontina, tem um apelo para cozinheiros inexperientes e é ideal para ambientes compactos, varandas gourmet ou ambientes externos. O preço é R$ 1994 na loja da empresa gaúcha.

De acordo com uma matéria recente do Estadão, o presidente da Tramontina, Clóvis Tramontina, disse ter conseguido terminar um espaguete a carbonara com a novidade (esse repórter usa duas panelas para fazer o prato).

Seja como for, o Guru é uma amostra da diversificação do portfólio e do crescente uso de tecnologia na Tramontina. 

A empresa, um dos orgulhos de Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha, é mais conhecida pelos talheres e panelas, mas há tempos vem diversificando a oferta com ferramentas, coifas e até mesmo pequenos veículos elétricos.

A diversificação abre portas para startups como a Agya, que tem quatro anos de atuação, mas um fundador cuja histórico no setor de eletroeletrônica é equivalente à de Clóvis Tramontina: Luiz Francisco Gerbase.

Gerbase foi um dos fundadores no começo da década de 80 da Altus, uma empresa da área de automação industrial que já entregou grandes projetos na área de energia, petróleo e gás, incluindo aí 22 plataformas da Petrobras. 

A Altus também esteve envolvida na criação da HT Micron, uma joint venture com a coreana Hana para fabricação de chips sediada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

Em setembro de 2019, a Ayga recebeu um investimento de valor não revelado da SKA e a Meta, duas das maiores empresas de tecnologia do Rio Grande do Sul.

Tanto Meta como a SKA estão sediadas no Tecnosinos, parque tecnológico da Unisinos, localizado em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, onde também fica Altus. A Ayga está no Tecnopuc, parque da PUC-RS na capital gaúcha. 

O foco da Ayga é mais amplo do que o da Altus, incluindo sensores, redes e a camada de software necessária para viabilizar projetos de Internet das Coisas em uma série de contextos, incluindo o de consumidor final. 

“Quando o projeto foi concebido, a pretensão de lançar no mercado um cooktop capaz de ensinar pessoas a cozinhar era bastante ousada. Hoje, a conectividade de dispositivos é uma realidade cada vez mais presente”, observa Gerbase. 

Para Gerbase, as novas redes de comunicação IoT, como Sigfox, LoRaWan e redes de celular, como 5G, estão viabilizando uma série de aplicações de supervisão a longa distância e baixo custo.

Do conceito ao lançamento, o cooktop Guru levou cerca de quatro anos para ser desenvolvido, testado e, só então, disponibilizado ao mercado. João Ricardo Wagner de Moraes, sócio e CTO da Ayga, conta que o primeiro passo foi consolidar o método de mensuração da temperatura do alimento através da medição indireta. 

O procedimento funcionou e, a partir daí, o cooktop começou a ser desenhado, com todas as suas funcionalidades. 

“Hoje, parece óbvio ter o aplicativo e as funções (balança, sensor de temperatura, controle de potência), mas na época era muito conceitual”, lembra Moraes, destacando que as duas empresas trabalharam sem benchmarks, por meio design.