Michael Miller e Nils Brauckmann, no palco da SUSECon.

A SUSE, depois de recuperar o seu status de empresa independente, espera agora o momento de ostentar o título de maior empresa 100% open-source.

"Em breve seremos a maior empresa independente de software de código aberto, assim que a vermelha for sugada pela azul", declara Nils Brauckmann, CEO da SUSE, que brincou com a situação na abertura do SUSEcon 2019, evento mundial da companhia realizado nesta semana em Nashville, nos Estados Unidos.

O executivo se refere à compra da Red Hat pela IBM, um negócio firmado em US$ 34 bilhões em outubro do ano passado, mas que ainda precisa ser concluído oficialmente.

A SUSE retomou sua atuação como empresa independente no dia 15 de março, após a conclusão da compra da empresa pelo grupo de investimentos sueco EQT por US$ 2,53 bilhões.

O momento é mais uma etapa na história da SUSE, que é cheia de idas e vindas. Fundada em 1992, a empresa foi comprada pela Novell, então uma gigante de tecnologia para redes, em 2003.

Em 2011, a Novell foi comprada US$ 2,2 bilhões pela desenvolvedora de soluções para integração de aplicações Attachmate em 2011. 

Quatro anos depois, a Micro Focus levou a Attachmate por US$ 1,2 bilhão. A Micro Focus, no mercado desde o tempo do mainframe, tem uma estratégia de aquisições algo errática e se tornou um balaio de gatos em termos de tecnologia. Os investidores do EQT identificaram uma oportunidade numa nova carreira solo para a SUSE.

Com o novo posicionamento, a empresa promete se concentrar nas necessidades dos clientes e parceiros com foco em soluções de entrega de aplicativos e infraestrutura definida por software de nível enterprise, que permitem workloads de clientes em qualquer lugar (on premise, híbrido e multi-cloud) com a flexibilidade do modelo aberto.

“Atingimos o status mais alto como uma empresa open source verdadeiramente independente. Nossas soluções genuinamente abertas, práticas comerciais flexíveis, o fato de não sermos um fornecedor lock-in, que visa aprisionamento tecnológico, e nossos serviços são críticos para clientes e parceiros”, detalha Brauckmann.

Além de mudar o status da SUSE no mercado, a compra da Red Hat pela IBM pode ter novas consequência para a companhia, que tem hoje a Big Blue como uma de suas parceiras estratégicas.

"Hoje, nada está diferente. Ainda temos nossas chamadas de briefing regulares com a IBM, mantemos nossos comentários de negócios, a IBM é uma das patrocinadoras da SUSEcon, então no momento a relação segue como sempre foi", declara Brauckmann.

O executivo evita prever o que pode acontecer nos próximos meses.

"Há uma razão prática pela qual as relações não mudaram que é o processo de conclusão do negócio ainda não ter sido oficializado, então as empresas não têm autorização para mudar sua estratégia. Não cabe a mim especular como IBM ou Red Hat vão atender os clientes deles no futuro", completa.

Michael Miller, presidente de estratégia, alianças e marketing da SUSE, reforça a visão de continuidade aplicada na parceria com a IBM até então.

"O comprometimento da equipe da IBM em seguir conectada com a SUSE e manter essa relação é muito sincero. Obviamente terão elementos que mudarão ao longo do tempo, mas eles sabem que o que importa para os clientes é o que impulsiona os negócios e muitos clientes da IBM dependem da SUSE para oferecer Enterprise Linux, então eles não vão ignorar essa necessidade", afirma Miller.

* Júlia Merker viajou a Nashville para o SUSEcon 2019 a convite da SUSE.