Gilsomar Maia.

A receita líquida da Totvs cresceu 1,6% no primeiro trimestre de 2017, para R$ 560 milhões, no que parece ser um indício de que a gigante brasileira de software de gestão está superando o impacto negativo da crise econômica e das mudanças no seu modelo de negócio.

O resultado é uma virada frente a quatro trimestres consecutivos de queda no faturamento (sempre na comparação com trimestre do ano anterior), que levaram a empresa a fechar o ano passado com uma receita líquida total de R$ 2,2 bilhões, redução de 3,5% sobre 2015. 

Parte da queda foi resultado da recessão econômica do país e outra parte da transição para o modelo de software como serviço, que impacta os resultados imediatos ao transformar os ganhos imediatos do licenciamento em assinaturas mensais.

Ao longo das suas últimas divulgações de resultados, a Totvs sempre frisou o crescimento da receita recorrente, como um sinal de que o modelo de pagamento por assinaturas estava “pegando”. 

Foi assim no primeiro trimestre também, quando este cresceu 8% na comparação com o mesmo período de 2016 e totalizou R$ 361 milhões. 

“Esses resultados mostram que a transição para o modelo de subscrição já passou o ponto de inflexão e estabeleceu uma tendência de elevação da receita de software”, destaca Gilsomar Maia, CFO e diretor de Relações com Investidores.

Pelo terceiro trimestre consecutivo, a receita de software cresceu sobre o trimestre anterior, totalizando R$ 374 milhões, 5,9% sobre o 4T16 e 5,3% acima do 1T16, impulsionada pelo crescimento de 31,3% de subscrição, que totalizou R$ 68 milhões. 

Esse aumento resultou principalmente da maior receita de vendas a novos clientes de médio e pequeno portes, explica a Totvs em nota.

Ainda existe muita receita para converter, mesmo que a Totvs não venha a se tornar um player 100% SaaS.  A receita de subscrição ficou em R$ 229,2 milhões no ano passado, um aumento de 21%, mas uma fatia ainda pequena do bolo total. 

Outro ponto que contribuiu para o crescimento da receita de software foi a expansão também nas vendas de licença no modelo corporativo, em que o cliente tem acesso irrestrito aos sistemas da Totvs e paga um incremento de licença no início de cada ano com base em seu crescimento real do período anterior. 

Nessa modalidade, o salto foi de 29,5%, em um total de R$ 14 milhões, retratando o maior ritmo de crescimento dos clientes sob esta modalidade no ano de 2016, sobretudo nos segmentos de Agroindústria, Manufatura e Saúde.

A receita de hardware cresceu 2,8% em relação ao 1T16 e totalizou mais de R$ 57 milhões no 1T17. A alta foi incentivada principalmente pelas vendas de soluções de automação, com destaque para o Bemacash que combina software de gestão Totvs para microempresas (linha Fly01), contratado no modelo de subscrição, com as soluções de hardware de automação e fiscais da Bematech. 

Nesse primeiro trimestre do ano foram vendidas 1.073 unidades do Bemacash.

O EBITDA ajustado do 1T17 totalizou R$90 milhões, 48,4% superior ao do 4T16, e a margem EBITDA ajustada foi de 16,1%, crescimento de 510 pontos base. 

Essa evolução trimestre contra trimestre reflete a ampliação das receitas de software e hardware e a redução das despesas gerais e administrativas.

“Tivemos um início de ano positivo e, assim como ocorreu com a receita, estamos determinados a estabelecer uma tendência de crescimento sustentável para a lucratividade da companhia”, reforça o CFO.

A Totvs tem uma base sólida sobre a qual trabalhar. De acordo com a última pesquisa da FGV sobre o mercado de TI do país, a empresa tem 50% do mercado de empresas com até 170 usuários e 36% da faixa seguinte, entre 170 e 700.