Mercado de lawtech está em consolidação. Foto: Pexels.

A Elaw Tecnologia, fornecedora de um sistema de gestão de departamentos jurídicos usado por 200 grandes empresas do país, fechou uma joint venture com a Impacta, uma empresa do mesmo ramo, mas cuja base de clientes é formada por um produto para 2 mil escritórios de advocacia e outro para 70 mil advogados autônomos ou pequenos escritórios.

Em nota, as empresas afirmam que o acordo forma a maior lawtech do país, termo pelo qual são conhecidas as empresas que oferecem soluções para a área jurídica. Juntas, as empresas administram um volume de 7 milhões de processos judiciais, um pouco menos de um décimo do total de 80 milhões.

As empresas não abrem faturamento, mas tem um tamanho parecido quando o assunto é número de funcionários, ficando na casa dos 180 cada uma.

Os produtos tem grande possibilidade de integração, porque os clientes da Impacta são os prestadores de serviço das corporações atendidas pela Elaw, que inclui nomes como Bayer, Carrefour, Cyrela, Mercado Livre e Serasa, totalizando 100 mil usuários.

Com a união, cujos termos comerciais não foram revelados, as empresas passaram a oferecer ao mercado jurídico um conjunto de soluções tecnológicas integradas, com funcionalidades de Inteligência Artificial, Big Data, Business Intelligence, RPA's, Analytics e Jurimetria. 

A Elaw usa tecnologia IBM para assuntos como tarefas legais cognitivas e automatizadas, com conceitos de machine learning. 

“Não pretendemos mais fazer tudo sozinhos, querendo ter todas as soluções dentro de casa. Cada vez mais, teremos ecossistemas mais amplos, de perfil multiplataforma”, explica Guilherme Bordon, CEO da Elaw. 

O potencial do mercado de lawtechs no Brasil é grande.

“Hoje, o Brasil gasta o equivalente a 2% do PIB com processos judiciais e conta com 1,2 milhão de advogados inscritos na OAB, sendo um dos maiores litigantes do mundo”, explica Marcelo Ferreira, CEO da Impacta.

Talvez por isso o mercado nacional de lawtechs parece estar chamando a atenção de investidores estrangeiros visando consolidar mercado, gerando o que parece ser um movimento de reação da Elaw e Impacta.

Em maio do ano passado, a Constellation Software, uma companhia de software canadense, comprou a catarinense Aurum, desenvolvedora dos softwares jurídicos Astrea e Themis.

Com sede em Florianópolis, a Aurum afirma ser líder no segmento de automação para advogados e departamentos jurídicos. 

Em abril deste ano, a Constellation voltou à carga, desta vez comprando a Kurier, uma companhia pernambucana de software jurídico com 1,7 mil clientes, incluindo aí sete dos 10 maiores escritórios de advocacia do país.

Tanto a compra da Aurum como a da Kurier foram divulgadas pelas próprias adquiridas, o que indica que a Constellation pode ter fechado outros negócios que não foram divulgados publicamente.

Só com a compra da Aurum e da Kurier, no entanto, a companhia canadense já está em condições de buscar sinergias entre as duas empresas, de maneira muito similar à que Elaw e Impacta fazem agora.