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Itaú e AWS em lua de mel

04/08/2022 20:31

CIO do banco falou sobre o andamento da migração, que pode chegar a 70% da infraestrutura.

Foto: Pixabay.

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O casamento entre a Amazon Web Services (AWS) e o Itaú Unibanco, que está fazendo uma das maiores migrações para a nuvem do país, vai de vento em popa e pode chegar a 70% da infraestrutura da instituição financeira em 2023.

Ricardo Guerra, CIO do banco, foi um dos principais nomes do AWS Summit, evento da americana que reuniu cerca de 18 mil pessoas em São Paulo entre os dias 3 e 4 de agosto, e deu mais detalhes sobre a jornada da companhia para a nuvem.

“Eu não tenho esse número final totalmente detalhado, mas a gente imagina que vai precisar, inevitavelmente, migrar 60% ou 70% do Itaú Unibanco para conseguir ter a experiência do cliente totalmente flexível, com a velocidade que imaginamos”, projetou Guerra.

O contrato com a AWS foi assinado ainda em 2020, depois de cerca de nove meses de namoro.

“A parceria em busca dos mesmos objetivos foi algo que, antes do casamento, a gente conversou muito. Vamos combinar onde a gente quer estar no longo prazo. Não adianta, se os interesses não são os mesmos, a parceria não dá certo para nenhum dos lados”, contou o CIO.

Em meados do ano seguinte, o banco revelou a estimativa de migrar 50% da sua infraestrutura para a nuvem até o final de 2022 — o que ainda está de pé.

Atualmente, quase 30% da plataforma do Itaú já está rodando em cloud. O Pix da instituição, por exemplo, já nasceu na AWS.

“Os 50% (até o final deste ano) devem significar cerca de 70 a 80% do valor total a ser capturado, tudo que eu preciso migrar para atingir o objetivo. Essa jornada vai entrar em 2023 com certeza, até o final do ano que vem vamos falar em migração para a nuvem”, adiantou Guerra.

Até agora, o banco já migrou boa parte das plataformas de conta corrente, cartões e investimentos, por exemplo. Algumas áreas já estão 60% na nuvem, outras 10%, mas todas as plataformas já começaram a jornada.

Isso acontece porque o processo é pensado em uma arquitetura de microsserviços, considerando a menor unidade de um serviço de negócio possível. A estratégia passa por identificar cerca de 4 mil serviços, cada um com uma base de dados específica, e migrá-los unitariamente. 

O critério de priorização geralmente é migrar primeiro aqueles serviços que são mais importantes para o cliente, que geram mais valor. 

“Já cometemos o erro, inúmeras vezes, de achar que você pode ficar construindo plataforma durante um ano. Aí você coloca no ar e aquilo que você fez seis meses atrás não funciona mais porque já mudou a regra do Banco Central ou o jeito que o produto funciona”, lembrou Guerra. 

Assim, a equipe aumentou a frequência de entregas para ciclos de três meses.

“A gente está numa jornada que é um casamento mesmo, tem momentos bons e difíceis, mas acho que o grande diferencial é essa jornada, que tem que ser feita com uma parceria muito intensa”, afirma Cleber Morais, country director da AWS no Brasil.

O CIO do Itaú ressaltou que a dificuldade da migração está em rearquitetar a plataforma do banco, com 80% do esforço nessa reescrita, independente de onde ela estiver rodando. A nuvem funcionaria mais como o destino final.

“A gente está reescrevendo, de fato construindo um Itaú Unibanco diferente do ponto de vista de arquitetura tecnológica. Para isso, nós optamos que essa nova plataforma reescrita morasse em cloud pelas diversas vantagens de escala, de disponibilidade, de custo que a AWS traz”, detalhou Guerra.

Para garantir a convivência entre a arquitetura antiga e a nova, o processo envolve toda uma questão de construção, de disponibilidade e qualidade, que requer disciplinas específicas de observabilidade, de metodologia propriamente dita e de gestão de operação com análise de dados operacionais, entre outros aspectos.

“Não são todas as plataformas que eu preciso migrar, ou seja, o sucesso dessa jornada não é chegar aos 100% na nuvem. Eu tenho uma série de plataformas que são comoditizadas e, se elas estiverem rodando com performance, qualidade e custo adequado, não tem uma razão para eu mexer nela”, ressaltou o CIO.

Hoje com 65 milhões de clientes, o Itaú estava apostando pesado em construir a sua própria infraestrutura até pouco tempo atrás. Em 2015, aumentou em 25 vezes a sua capacidade instalada, construindo um data center em Mogi Mirim com um investimento de R$ 3,3 bilhões.

Na época, o banco disse que o novo data center teria capacidade para atender o crescimento dessa demanda até 2050. Além disso, estava prevista a construção de mais dois data centers entre 2021 e 2023 e outros dois até 2035, sempre no mesmo local.

O setor bancário é altamente regulado e com infraestruturas de TI legadas de grande porte, ficando atrás do mercado em geral quando o tema é adoção de nuvem. A AWS, no entanto, parece estar à frente no segmento.

Nos últimos anos, a companhia fechou contratos com o Digio, plataforma criada pelo Bradesco e pelo Banco do Brasil, e o Fibra, focado em grandes e médias empresas dos setores de agronegócio e corporativo.

O Banco Bari, instituição financeira do Grupo Barigui, também nasceu na nuvem da AWS. Mais recentemente, a Bitz, conta digital do grupo Bradesco, migrou para a plataforma.

*Luana Rosales participou do AWS Summit, em São Paulo, a convite da AWS.

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