E agora iFood? Foto: Divulgação.

Tamanho da fonte: -A+A

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a maior associação do setor no país, quer que o iFood compense financeiramente milhares de estabelecimentos cujos nomes foram trocados dentro da plataforma nesta terça-feira, 02.

Segundo o próprio iFood, as alterações foram feitas por um funcionário terceirizado de uma empresa de atendimento e afetaram 6% do total de cadastrados. 

Os novos nomes, que permaneceram no ar por algumas horas, incluem “Bolsonaro 2022”, “Petista Comunista” ou ainda “Vacina Mata” e circularam abundantemente em redes sociais por meio de screenshots feitos por usuários.

O iFood não abriu a cifra total de afetados. De acordo com dados divulgados em agosto de 2020, seriam pelo menos 12 mil estabelecimentos (provavelmente muito mais, uma vez que muitos restaurantes se cadastraram em função da pandemia).

“Além dos óbvios prejuízos financeiros, que esperamos que sejam compensados pelo aplicativo, e de imagem para os estabelecimentos, o que chama a atenção é a fragilidade demonstrada”, aponta a nota da Abrasel.

A nota da Abrasel propõe uma discussão interessante sobre o nível de responsabilidade do iFood frente aos restaurantes, para os quais a plataforma é uma fonte importante de receitas (que se somaria a um debate já existente em relação aos entregadores).

O iFood pode oferecer uma redução de comissões, ou algum outro gesto de boa vontade, mas outras formas de pagamento colocariam o app na posição de estar criando um precedente perigoso.

O reembolso de vendas não realizadas por poucas horas no feriado hoje poderia ser um pagamento muito maior por uma queda de serviço ou um ataque mais sério amanhã.

A questão dos prejuízos de imagem é ainda mais escorregadia: como definir o prejuízo que um McDonalds na área central de São Paulo teve ao ser identificado como “Bolsonaro 2022”?

O iFood tem do seu lado os termos de uso da plataforma, que seguramente são extensos o bastante para eximir a empresa de qualquer responsabilidade sobre qualquer coisa.

Por outro lado, não dar resposta nenhuma poderia ser um dano de imagem a mais para o iFood, que já lida com a repercussão do ataque e do fim do patrocínio ao Flow, um podcast popular, ainda que conhecido por polêmicas.