Gustavo Kuster, fundador da Neomed. Foto: divulgação.

A Neomed, healthtech de Software as a Service (SaaS) especializada no processamento de laudos de exames complexos, recebeu um aporte de R$ 6,5 milhões liderado pelo Positive Ventures, um fundo de impacto paulistano focado em empresas em early stage.

De acordo com o site Brazil Journal, o Positive investiu metade do total. O restante foi dividido entre a IKJ Capital, a Provence Capital e investidores-anjo como Ricardo Villela Marino, de uma das famílias controladoras do Itaú.

Fundada em 2016, a Neomed digitalizou o processo de geração de laudos de exames, chegando a reduzir as entregas de sete para um dia. 

No caso de um eletrocardiograma, por exemplo, as clínicas ou laboratórios precisavam buscar cardiologistas que cobrava por cada exame laudado — um processo pouco competitivo que custava caro e tomava tempo.

“Como eles tinham que negociar com vários médicos individualmente, o custo também era bem mais alto. A gente faz essas negociações em volume, então conseguimos reduzir o custo do laudo em mais de 60%”, explicou Gustavo Kuster, fundador da Neomed, ao Brazil Journal.

A startup atende 150 clínicas e laboratórios de 32 clientes diferentes. Hoje, o maior deles é a Hapvida, que usa o software da Neomed em 40 de suas clínicas, chamadas de Vida e Imagem. A companhia também atende a Dasa, o Grupo Alliar, e o Hermes Pardini.

No modelo de SaaS, as clínicas e laboratórios pagam uma mensalidade para ter acesso à plataforma da Neomed, que consegue se conectar com qualquer hardware de exames.

Ainda de acordo com a publicação, a prática usual na indústria até agora era empresas como a Siemens e GE venderem hardware e software juntos — o que obrigava as clínicas a operar com múltiplos softwares. 

Com a Neomed, elas conseguem usar a mesma plataforma para processar todos os chamados exames de métodos gráficos.

Além de oferecer o software, a startup tem 30 médicos cadastrados na plataforma, que ficam disponíveis em tempo integral para laudar os exames.

Quando alguma clínica cliente sobe um exame na plataforma, esses médicos recebem um alerta. O primeiro que aceitar o pedido faz o laudo, que é devolvido para a clínica em até 24 horas.

Em 2019, a Neomed faturou R$ 5,2 milhões e, no ano passado, R$ 4,5 milhões. Para 2021, a startup projeta uma receita de R$ 9 milhões.

Com o aporte, a empresa pretende acelerar sua expansão e entrar em duas novas verticais, começando pelos hospitais, onde usará inteligência artificial para tornar mais rápido o diagnóstico de casos de infarto agudo.

O segundo segmento é o das farmácias, onde começará a oferecer e laudar o exame de M.A.P.A. e acompanhar a jornada dos pacientes com doenças crônicas, como hipertensão.

“O que quero é ter o maior número possível de pacientes na plataforma. Com massa crítica, podemos conversar inclusive com as operadoras de saúde”, afirmou Kuster ao Brazil Journal.

Com a entrada nos novos segmentos, a Neomed estima que seu mercado endereçável suba de R$ 7 bilhões para mais de R$ 50 bilhões.

Fundado em 2016, o Positive Ventures é focado em empresas tech com impacto positivo, seja em problemas sociais ou ambientais, e já investiu em startups como Eureciclo, Good Money e OccamzRazor.