Quantos sites de ingressos podem existir? Foto: MeeKo / Shutterstock

Discretamente, os últimos meses assistiram a abertura de uma série de startups de internet focadas em compra e venda de ingressos para espetáculos, no que parece ser um repeteco ainda mais populoso do mercado de apps de táxis.

A última delas é a Uticket, fundada com um investimento inicial de cerca de R$ 260 mil e com a meta de vender 10 mil ingressos neste ano.

O site oferece as features comuns em empreendimentos do gênero: pagamento com PagSeguro, validação do usuário e sistema de gestão de vendas, entre outros.

O nome por trás da empresa é Cássio Krupinsk, um empresário que começou sua carreira como assistente pessoal de Joseph e Moise Safra, irmãos fundadores do poderoso Banco Safra e depois se tornou o que se convencionou chamar de um empreendedor em série, tendo fundado o e-commerce de óculos Volv Eyewear, do marketplace Oxibiz e do sistema de pagamento Oxipag.

De acordo com dados da Uticket, shows e eventos do tipo no Brasil tem um índice de ausência de 6,8%, que a empresa atribui à consumidores que compram seus ingressos antecipadamente de olho em descontos mas acabam impedidos de comparecer por imprevistos de última hora. 

O problema é que parecem já existir empresas demais de olho nesses 6,8%, inclusive multinacionais.

A maior delas parece ser a Ticketbis, na qual o mercado brasileiro corresponde por 16% do faturamento total, algo na faixa de R$ 5,1 milhões em 2012. Outros players internacionais que atuam por aqui, como o Viagogo.

Nos últimos tempos, startups nacionais vem entrando no mercado, como a EhTicket, lançado em agosto do ano passado pela paulista R18 e o Ingresse, que ainda em junho recebeu R$ 10 milhões do e.Bricks Early Stage, Qualcomm e DGF Investimentos.

Além de muito bastante competitivo, a dimensão P2P do mercado de vendas de entradas pela internet ao estilo (os sites também trabalham com ofertas convencionais B2B) está em um terreno regulatório meio escorregadio no qual se confunde com o bom e velho cambismo.

Durante a Copa do Mundo, uma ocasião com alta demanda por ingressos de segunda mão, o Procon notificou os portais Ticketbis e Viagogo por infração aos direitos do consumidor nos preços de entradas para jogos da competição.

A situação ainda não é tão propensa ao estabelecimento de uma guerra nos moldes do mercado de app de táxis, onde meia dúzia de empresas capitalizadas por investidores parecem ter prescindido de qualquer esforço em prol de lucratividade na tentativa de ser a sobrevivente no mercado.

Mas, de qualquer maneira, um número significativo de empresas já comprou seu ingresso para a briga.