INVESTIMENTOS

Huawei: projetos voltados à cibersegurança no Brasil

05/11/2021 13:11

Além de ter um T-Center em São Paulo, a chinesa apoia um centro de segurança em Minas Gerais.

Marcelo Motta, diretor de soluções e segurança cibernética da Huawei para a América Latina. Foto: divulgação.

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A Huawei está trabalhando em dois grandes projetos voltados à segurança cibernética no Brasil em 2021.

O primeiro é com o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), instituição dedicada à formação de profissionais no setor de telecomunicações e tecnologia localizado em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais.

Apesar de já apoiar o Instituto há cerca de 18 anos, a empresa inaugurou um Centro de Segurança Cibernética (CSC) no local em março deste ano.

Através dele, a chinesa deixa à disposição dos pesquisadores e estudantes o acesso remoto aos seus centros de segurança global, que contam a base de conhecimento acumulado ao longo dos anos pela companhia.

Os testes de segurança não têm limitação física, podem ser feitos em qualquer lugar com acesso à internet. 

O local é apenas um espaço físico oferecido para desenvolvimento dos projetos, que são focados em redes de telecom — incluindo a segurança do 5G, da internet das coisas e de carros conectados, por exemplo.

“É justamente isso que a gente quer fazer: apoiar o Inatel nas iniciativas que eles definirem e, ao mesmo tempo, capacitar os nossos próprios recursos humanos. É uma parceria de longo prazo, inclusive vários funcionários nossos estudaram aqui”, conta Marcelo Motta, diretor de soluções e segurança cibernética da Huawei para a América Latina.

Para o executivo, a área de cibersegurança tem um gap de mão de obra igual ou maior do que a área de TI em geral.

“Imagina, eu tenho uma equipe que só trata dessa questão da segurança. Em empresas menores, não têm. Mesmo nas grandes, algumas foram publicamente atacadas com ransomware. Faltando gente e esses ataques não cessando, cada vez mais vamos continuar vendo essas interrupções de serviço”, destaca Motta.

Outra novidade que a companhia trouxe ao Brasil neste ano, em 27 de julho, é o seu T-Center, um centro de transparência local para clientes e parceiros entenderem a questão de segurança e desenvolverem conjuntamente projetos de inovação.

A estrutura fica em na sede da Huawei em São Paulo e também conta com um espaço pequeno em Brasília, onde podem ser feitos acessos remotos.

Segundo a chinesa, o valor investido em cibersegurança no país não é definido e ela prefere não abrir uma estimativa por conta da demanda dos projetos que vão surgindo. 

Para se ter uma ideia, mundialmente a empresa investiu mais de US$ 1,1 bilhão na área em 2020, o que representa cerca de 5% dos US$ 21,8 bilhões aplicados por ela em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

“Isso envolve processos e como eu vou construir equipamentos seguros. Depois que eu construir, como eu vou testar, quais são as ferramentas e os laboratórios que eu tenho, os profissionais e a capacitação deles”, explica o diretor da Huawei.

Para uma única estação Wi-Fi 5G, por exemplo, são realizados quase 3 mil testes. No seu framework global, a companhia utiliza técnicas como controle de acesso, distribuição de dados e criptografia para proteger os produtos. 

“Temos dispositivos conectados através de rede, trazendo dados para as nuvens para o desenvolvimento de aplicações inteligentes. São atores distintos e, para ter segurança fim a fim, cada uma dessas quatro camadas tem que estar protegida”, explica Motta. 

Segundo o executivo, essa questão de governança e assurance envolve os processos de desenvolvimento e seleção de parceiros, assim como os testes e auditorias dos componentes recebidos de terceiros para garantir que os produtos saiam em conformidade com os padrões internacionais.

O diretor alerta, no entanto, que ter rede e equipamentos seguros não é suficiente, pois as companhias também dependem da educação e da cultura dos operadores — que podem, por exemplo, fornecer ou expor senhas. 

A cada mês, a rede corporativa da Huawei detecta e se defende de mais de 10 milhões de ataques cibernéticos. Já na nuvem pública da empresa, o número chega a centenas de bilhões de tentativas por ano. Esses ataques visam derrubar o serviço, roubar dados ou alterá-los.

Motta apresentou os investimentos durante o Fórum Nacional de Cibersegurança, promovido pela chinesa em outubro no Inatel.

Fundada em 1987, a Huawei tem sede em Shenzhen, na China, e está presente em mais de 170 países com mais de 54 mil produtos. Em 2020, a empresa faturou US$ 136,7 bilhões, alta de 11,2% em relação ao ano anterior.

*Luana Rosales foi ao Fórum Nacional de Cibersegurança, em Santa Rita do Sapucaí (MG), a convite da Huawei.

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