O Paraná inaugurou recentemente um Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro. Foto: Sesp.

O Paraná inaugurou recentemente um Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), vinculado à Polícia Civil. O local conta com o sistema de mineração de dados da SAS e gerenciamento de dados Infosphere da IBM, além de ferramentas da MicroStrategy, Microsoft, e outras companhias.

O LAB-LD é uma unidade de análise de dados que visa a identificação de atividades ilícitas na área de transferência monetária. A estrutura, vinculada à Agência de Inteligência da Polícia Civil do Paraná, foi instalada mediante acordo de cooperação técnica com a União. 

A equipe vai colaborar, principalmente, em casos que envolvam significativo volume de dados originários de quebras de sigilo bancário ou fiscal, a partir da aplicação de ferramentas de análises específicas e metodologias próprias de trabalho. 

“O laboratório funcionará como suporte e assessoramento técnico a todas as demais unidades policiais que tiverem uma investigação relacionada à lavagem de dinheiro”, afirma Leon Grupenmacher, secretário da Segurança Pública.

Para o delegado responsável pelo LAB-LD, Alessandro Roberto Luz, a unidade passa por uma mudança de paradigma de investigação policial. 

“Hoje a criminalidade é exercida com outros aparatos, buscando a ocultação da origem ilícita do dinheiro. Aqui temos equipamentos para fazer frente a esses crimes, além de profissionais que passaram por uma capacitação específica para trabalhar com as ferramentas de anális”, apresenta ele. 

Segundo Luz, a equipe composta por quatro analistas passou por um treinamento de quase um ano de duração.

A ideia de criar uma unidade especializada contra a Lavagem de Dinheiro é a realização da meta 16 da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA) do ano de 2006. 

Atualmente, cerca de 60 órgãos e entidades fazem parte da ENCCLA, como Ministérios Públicos, Polícias Civis, Judiciário, Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas da União, Comissão de Valores Mobiliários, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Banco Central do Brasil, Agência Brasileira de Inteligência e Advocacia Geral da União. 

O primeiro Laboratório de Tecnologia foi instalado no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) da Secretaria Nacional de Justiça por meio de convênio firmado, em maio de 2006, entre o Ministério da Justiça e o Banco do Brasil. 

O laboratório do Paraná é o 33º a entrar em funcionamento. Outros dez estão em processo de instalação. 

“É um suporte para auxiliar no corte do fluxo financeiro e na descapitalização dos criminosos, facilitando a recuperação dos ativos ilícitos”, complementa o coordenador nacional da Rede LAB, Roberto Zaina. 

De acordo com ele, de 2007 a julho de 2014, a Rede já analisou 2.196 casos, com R$ 21,4 bilhões em recursos com indícios de ilicitude identificados.