CARGAS

Biometria facial pega “motorista dublê”

06/01/2021 13:40

Tecnologia da CredDefense está sendo usada pelos clientes da seguradora NVZ.

Com biometria facial, é mais fácil saber se a pessoa certa está atrás do volante. Foto: Pexels.

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A NVZ, uma seguradora especializada no segmento de logística, está usando tecnologia de biometria facial da CredDefense para prevenir a ocorrência do chamado “motorista dublê”.

Um dublê é um estelionatário que se passa pelo motorista original que vai fazer o transporte da carga com documentação falsa, recebe a mercadoria e a extravia.

Em termos de roubo de carga, o Brasil ocupa a sétima posição do ranking mundial, elaborado a partir de estudo do Reino Unido com 57 países. Segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC&Logística), em 2019, tal situação provocou perda de R$ 1,4 bilhão para as empresas. 

Com a tecnologia, a NVZ está controlando a identidade de 6.645 motoristas em 150 diferentes transportadoras, totalizando um volume de carga de quase US$ 1 bilhão até agora.

A solução da CredDefense opera pelo smartphone dos caminhoneiros, sem necessidade de instalação de nenhum aplicativo. O motorista recebe um SMS ou mensagem via Whatsapp e através de etapas customizadas pode fazer a captura de biometria e checagem de diversos documentos.

Até então, as empresas faziam esta análise através de um coletor de digital, que custava em média R$ 500, necessitava estar espalhado por uma rede grande de pontos e não dava certeza total da eliminação do risco de fraude.

“Com a biometria facial isso mudou, pois a face do motorista é escaneada na hora, de forma online, sem necessidade de uso de equipamento específico”, conta José Antunes Valgas, diretor técnico e comercial da NVZ Seguros. “É um investimento nosso para viabilizar o seguro a nossos clientes. O processo é rápido e evita 100% das fraudes de motoristas dublês”, agrega Valgas.

O problema, porém, é muito maior, pois neste número não estão contabilizados os acidentes nem as fraudes que ocorrem semanalmente. “Muitas vezes, é preciso adquirir o produto de última hora no porto por um valor 4 ou 5 vezes maior”, alerta Valgas.

A CredDefense está no mercado desde 2014 e atende 150 clientes, incluindo o que afirma ser os maiores bancos brasileiros, grandes financeiras e cadeias e locadoras de veículos (muitas vezes, os clientes de biometria facial gostam de fazer mistério sobre seus fornecedores).

Em 2018, a empresa contratou José Luis Volpini como CEO e o fundador Ricardo Valverde assumiu o comercial. 

Volpini fundou nos anos 90 a Quatro/A Telemarketing, que chegou a ser uma das maiores do setor no Brasil, com 8,5 mil funcionários e foi depois diretor de relacionamento na Oi. No ano passado, a CredDefense recebeu um aporte de valor não revelado do fundo Gulf Capital.

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