Foto: Sgt. Johnson/Agência Força Aérea.

O Ministério da Defesa contratou a Kryptus, multinacional brasileira especializada em criptografia e segurança cibernética, para o projeto da nova Rede Operacional de Defesa (ROD) do Brasil.

A empresa venceu o processo licitatório para fornecer tecnologias de segurança criptográfica e ser responsável pela readequação dos ativos de TIC e expansão física e lógica, bem como pelo monitoramento e suporte técnico operacional da rede.

A maior parte do fornecimento deverá ser realizada ainda no ano de 2021.

Considerada a espinha dorsal do Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC2), a ROD tem como propósito prover serviços de voz, dados e apoio à decisão aos diversos níveis da estrutura militar de defesa. 

A nova ROD é uma reestruturação e modernização da infraestrutura atual, mantida sob a Chefia de Operações Conjuntas (CHOC) do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA/MD). 

“Com a mudança dos paradigmas de mobilização e combate para a ‘Guerra Centrada em Redes’ e no médio prazo para a ‘Guerra em Mosaico’, é importante que os elementos de comando e controle sejam cada vez mais soberanos e interoperáveis”, explica Roberto Gallo, fundador e diretor geral da Kryptus.

O processo de aquisição foi o primeiro realizado pelo Ministério da Defesa com o instrumento de Termo de Licitação Especial (TLE), que estabelece que o fornecimento de soluções para a proteção de informações deve ser feito por companhias classificadas pelo ministério como Empresas Estratégicas de Defesa (EED).

Além disso, as tecnologias utilizadas precisam ter sido desenvolvidas no país.

Recentemente, a Kryptus obteve renovação da certificação de EED, selo criado em 2013 e possuído por um grupo limitado de empresas na área de tecnologia.

Há pouco, a companhia também assinou um contrato com o Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), instituição de ciência, tecnologia e inovação subordinada ao Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ), para o fornecimento da solução de tokens criptográficos para a Marinha do Brasil.

A solução escolhida foi o modelo KeyGuardian, com o qual a Marinha poderá operar recursos criptográficos com algoritmo de Estado desenvolvido pelo CASNAV em tarefas ou missões que exijam proteção de dados ou informações sigilosas. 

“O KeyGuardian é muito mais do que um token. É uma plataforma criptográfica multimissão que, acompanhada dos demais elementos da suite ‘BruitBlanc’, é capaz de entregar dados e comunicações seguras em múltiplos cenários, para todos os graus de sigilo”, explica Gallo.

Segundo a Kryptus, o KeyGuardian foi desenvolvido ao longo dos últimos 15 anos e é a única solução no país capaz de proteger dados e comunicações IP em todos os graus de sigilo previstos na legislação, até o nível ultra secreto.

No Brasil, a Kryptus é fornecedora de soluções criptográficas para as três Forças e Ministério da Defesa, além de outros entes e órgãos críticos, como Abin, MRE, ITI e TSE. Atua também em programas estratégicos como SISFRON, AC-Defesa, LinkBR2 e RDS-Defesa.

A empresa ainda é responsável por soluções de nível governamental para instituições como a Marinha do Peru e o Exército da Colômbia, além de ter entre seus clientes empresas como BSH, uma subsidiária da Bosch, Claro Brasil, Certisign, Iron Mountain, iFood e Embraer.

Fundada em 2003, a Kryptus tem sede em Campinas, São Paulo, escritórios na capital do estado e em Brasília, além de subsidiária em Yverdon-les Bains, Suíça. Em 2020, a empresa recebeu um aporte de R$ 20 milhões do fundo Aeroespacial, que tem entre seus principais cotistas a Embraer.