Mark Hurd, CEO da Oracle. Foto: Divulgação.

A Oracle quer se consolidar como uma empresa de aplicações em nuvem com o ganho de uma fatia maior desse mercado. O objetivo da empresa é usar o negócio como alavanca para incrementar o faturamento com os clientes, transformando US$ 1 em até US$ 4.

A meta da empresa é clara: dobrar seus negócios no segmento de aplicações em nuvem, buscando tirar de forma agressiva a participação de mercado dos concorrentes.

O movimento de expansão passa pela migração de clientes da própria Oracle para a versão em nuvem do ERP e outras ferramentas, além de busca de novos clientes que hoje utilizam sistemas de outros fornecedores.

"Em aplicações, nossa base de usuários gera uma ótima oportunidade, mas ao mesmo tempo, cerca de metade dos clientes de produtos em nuvem hoje não eram clientes da Oracle anteriormente. Eles não são uma conversão de Oracle para o Oracle SaaS. Portanto, analiso a oportunidade de ganhar mercado e modernizar todas essas aplicações antigas como extremamente empolgantes", declara Mark Hurd, CEO da Oracle, que falou com a imprensa por audioconferência durante o Oracle Media Days, realizado na sede da empresa, na Califórnia, na última semana.

A companhia espera conquistar os clientes que hoje trabalham com provedores de serviços mais fracos em termos de investimento. 

"Temos uma longa lista de concorrentes com 1% ou 2% de mercado que não tem fundos suficientes para chegar a uma capacidade mais alta", diz Hurd.

Além disso, ele mira tirar clientes de fornecedores líderes, como a SAP.

"A SAP diz para os clientes que eles tem que mudar para nuvem, mas eles vão manter o mesmo workflow e aplicações que tem hoje. É preciso mudar de um data center para outro, mas no fim das contas, ainda tem o mesmo workflow. O problema da mudança é que as customizações precisam ser refeitas e o cliente paga novamente para ter a mesma funcionalidade", cutuca Hurd.

Ele acredita que grandes empresas podem ter problemas ao apresentar esse cenário para a diretoria ou conselho de administração, gerando uma nova avaliação do mercado.

Para demonstrar a possibilidade de crescimento da companhia, Hurd se apóia em um relatório da IDC que aponta que a Oracle obteve o maior crescimento de participação no mercado global entre todos os fornecedores de aplicativos corporativos no modelo SaaS durante três anos - 2016, 2017 e 2018.

Os dados do IDC Public Cloud Services Tracker, divulgado em abril de 2019, abrangem ferramentas de CRM, engenharia, ERP, SCM e aplicações de produção e operações.

Para o CEO, a migração dos atuais clientes para a nuvem garante um aumento de receita pela própria "natureza do negócio". Ele explica que cada dólar gasto em suporte on-premise pode ser convertido para entre US$ 3 e US$ 4 no negócio em nuvem. 

"Isso acontece porque eles mudam para nosso data center, usam nossos servidores, armazenamento, banco de dados, middlerware, etc. Acabamos fazendo muito mais do que o planejado no começo e ganhando participação de mercado", detalha.

Mesmo assim, ele garante que o negócio é positivo para o cliente porque a consolidação dos serviços gera uma economia de cerca de 30% na comparação com a compra de todos os elementos de forma separada.

O esforço para conquistar mais mercado é refletido na equipe da Oracle. Nos últimos anos, a empresa quase triplicou sua força de vendas de aplicativos em nuvem.

A empresa tem hoje 20,5 mil clientes de ERP, sendo 5,5 mil do Oracle Cloud ERP e 15 mil do NetSuite, sistema adquirido pela companhia em 2016 a partir de um negócio de US$ 9,3 bilhões.

*Júlia Merker viajou a São Francisco para o Media Days a convite da Oracle.