Ricardo Higa. Foto: Baguete.

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O vertical financeira da SAP assumiu a liderança em contribuição de receita para a multinacional alemã no Brasil pela primeira vez na história em 2013, marcando o que a empresa acredita ser um momento de virada em relação à maneira como os bancos brasileiros compram tecnologia.

É uma situação atípica inclusive em nível mundial, onde o segmento financeiro costuma ficar em segundo lugar. A SAP não informa porcentagens participações dos 25 segmentos nos quais atua no faturamento total.

No final do ano passado, o segmento de bancos teve o melhor desempenho em crescimento, com alta de 145%, seguido de utilities (+98%), indústria de maquinários e componentes (+83%) e varejo (+62%).

O resultado é produto do planejamento estratégico da SAP, que prioriza o crescimento no setor financeiro, varejo e governo, além da diversificação do porfólio. Hoje, o antigo carro chefe do ERP responde por apenas 30% do faturamento.

Soluções de analytics, com grande aderência no setor financeiro, são umas das novas fontes de receita.

Também ajuda o tamanho dos contratos com empresas do segmento, no qual se usa tecnologia de maneira intensiva: só a Caixa Econômica Federal fechou um contrato de R$ 518 milhões em três anos com a SAP.

“A curva de adoção de tecnologia está sendo acelerada pelo cenário bancário mais complexo: a tendência é taxas de juros menores e mais regulação”, afirma Ricardo Higa, gerente de soluções bancárias da SAP Brasil.

A Caixa é um exemplo disso. O quarto maior banco do país decidiu consolidar 80 sistemas legados usando a apliacação da SAP para core banking. Em 2011, o BRDE, banco de desenvolvimento regional do Sul, tomou a mesma decisão.

O caso da instituição é mais chamativo pelo fato da CEF ser até pouco tempo um baluarte da política do governo federal de fomento ao software livre, o que põe ainda mais em relevo a atratidade de pacotes de mercado.

Ao que tudo indica, os bancos brasileiros estão visando simplificar os ambientes de TI, nos quais convivem diferentes bases de hardware, começando pelos antigos mainframes e todo tipo de sistemas legados, muitos em Cobol.

Assuntos como cloud computing começam a entrar na pauta. O Banco do Brasil, que tem dois data centers Tier 4 em Brasília, já está estudando levar alguns serviços não críticos, como sistemas de treinamento e controle de biblioteca para nuvens públicas, revelou durante palestra o vice-presidente de tecnologia no Banco do Brasil, Geraldo Dezena.

“Muitos bancos menores precisam decidir se incrementam suas infraestruturas de TI ou migram para nuvems”, aponta Higa.

O gerente de soluções bancárias da SAP Brasil destaca que áreas como mobilidade também oferecem possibilidades. Apesar dos bancos brasileiros serem avançados em mobile banking [6% das transações bancárias foram mobile em 2013, um aumento de 3,7 vezes frente ao ano anterior], relativamente poucas instituições usam mobilidade para agilizar seus processos internos, perdendo produtividade e atratividade para os jovens da nova geração de profissionais.

Mauricio Renner viajou ao Ciab Febraban a convite da SAP.