Anúncio acontece uma semana após a compra da startup HubSales pela empresa. Foto: divulgação.

A Magazine Luiza anunciou a aquisição do Canaltech, site de tecnologia com foco em reviews de gadgets, e da plataforma de mídia on-line desenvolvida pela Inloco, startup especializada em geolocalização.

O valor pago pelas empresas não foi detalhado pela Magalu que, com as compras, faz um duplo movimento para aumentar a audiência e eficácia de sua ferramenta de anúncios, o Magalu Ads.

Fundado em 2012 por Felipe Szatkowsk e Domingos Hypolito Neto, dois empreendedores que também criaram o site Ultradowloads, o Canaltech já é um dos principais parceiros do programa de afiliados do Magalu, de acordo com o site Brazil Journal.

Quando o portal produz uma matéria com comparativos de produtos ou reviews, coloca links para os sites do e-commerce, ganhando uma comissão pelas vendas.

O Canaltech tem uma audiência de 24 milhões de visitantes, 2,49 milhões de inscritos no canal do Youtube e 792 mil seguidores em suas redes sociais.

Já a Inloco foi fundada em 2014 por André Ferraz, que atua como CEO da empresa sediada em Recife. A startup também tem equipes em São Paulo, Nova York e na área da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos.

Investida pela Valor Capital Group, Prosus & Naspers e Unbux Capital — empresa da família Trajano, fundadora do Magazine Luiza — a startup já captou um total de US$ 20 milhões. A empresa tem uma série de soluções além da recém adquirida pela varejista.

Segundo a Magalu, a ideia é utilizar o conteúdo do Canaltech e a tecnologia da Inloco Mídia para monetizar a audiência.

Juntos, os canais digitais de Magalu, Netshoes, Zattini, Estante Virtual, Época e, agora, Canaltech, somam 210 milhões de visitas mensais, segundo a ferramenta de medição Similarweb. No total, serão cerca de 80 milhões de visitantes únicos mensais.

Por meio do Magalu Ads, as empresas que vendem no marketplace poderão expor seus produtos nos sites da gigante do varejo por meio de e-commerce content e de publicidade nativa.

Com a solução de localização da Inloco, o seller poderá oferecer seus produtos para clientes que estejam próximos de sua região, reduzindo custos de frete e prazos de entrega. 

Para lojistas incluídos no Parceiro Magalu, pequenas empresas, ainda essencialmente digitais, a plataforma de geolocalização promove a captação de clientes para as lojas físicas.

"A união de e-commerce, conteúdo e publicidade é um negócio em expansão em todo o mundo. Queremos fazer parte dele e, assim, oferecer novos serviços aos nossos sellers. Nossa plataforma tem tudo para ser uma das maiores e mais eficientes do mercado", afirma Frederico Trajano, CEO do Magalu. 

A entrada da Magalu no mercado de publicidade on-line acontece uma semana depois da entrada da empresa no comércio F2C. Na semana passada, a companhia anunciou a compra da HubSales, plataforma que conecta fabricantes a consumidores finais.

Segundo a empresa, sua entrada no mercado de ads também fortalece a estratégia de superapp da companhia e outras aquisições devem ser feitas pela Magalu nos próximos meses. A empresa está de olho tanto em startups quanto em negócios maiores. 

“Ano passado captamos R$ 5 bilhões para fazer M&A. Essa estratégia estava em stand by pela pandemia, mas agora que passamos bem pela crise vamos fazer o que prometemos”, disse Frederico Trajano ao site Brazil Journal.

A Adyoulike, agência americana de publicidade, afirma que o mercado global de publicidade nativa deve crescer 372% entre 2020 e 2025, passando dos atuais US$ 85,8 bilhões para US$ 402 bilhões.

Só a Amazon fatura mais de US$ 13 bilhões por ano com sua vertical de ads, enquanto boa parte da receita do Alibaba, cerca de US$ 30 bilhões, já vem de publicidade on-line. 

Já o Mercado Livre não abre os números de sua plataforma de ads, mas a estimativa é que a companhia fature pelo menos R$ 1 bilhão por ano com publicidade.