Pelo menos uma dezena de executivos saíram da HPE nos últimos meses.

A HPE está passando por uma reconstrução do seu time de executivos no país, em meio a uma mudança de orientação da companhia em nível global.

Ao longo dos últimos meses, o Baguete noticiou a saída ou a contratação de quase uma dezena de executivos de alto nível da empresa no país.

Só nos últimos dias, foram dois: Samuel Baccin deixou de ser líder de vendas por parceiros e alianças da HPE no Brasil.

No cargo de líder de vendas por parceiros e alianças, Baccin era responsável por mais da metade do volume de vendas da HPE no país.

Fabio Castelucci, ex-diretor sênior de Finanças para América Latina da HPE, foi anunciado como o novo vice-presidente de Finanças da Sonda no Brasil.

Grandes empresas de TI costumam operar com uma certa dose de rotatividade, sendo comum executivos saltarem de posição a cada dois ou três anos.

Mas a quantidade de movimentações na HPE parece exceder esse padrão.

A reportagem do Baguete também apurou que Alexandre José, um profissional da área técnica com um cargo sênior, saiu em agosto, sendo hoje chief architect na Dell, um cargo de nível C.

A Dell também foi o destino de Luciano Longo, um gerente de contas para clientes na área de servidores, nas quais atendia clientes como Santander, GetNet e Serasa. César Gomes, gerente de clientes como Itaú e Grupo Claro/Embratel, também deixou a empresa.

Os três estavam se aproximando de uma década de HPE, tendo começado quando a empresa ainda era a HP e estão indo reforçar um concorrente na área de hardware.

Em abril, o Baguete divulgou que Maurizio Niccolai, ex-gerente de alianças e integradores de sistema da HPE para América Latina, havia assumido o cargo de executivo de estratégia de canal da Semantix, companhia brasileira que é uma das maiores parceiras da Cloudera para a região.

Em julho, Rodrigo Guercio, ex-diretor de tecnologia e soluções da HPE, se tornou o novo diretor de data center no Brasil da Lenovo.

A reportagem do Baguete conversou com o diretor da HPE no Brasil, Ricardo Brognoli, que colocou a movimentação intensa em perspectiva:

“Temos uma combinação de pessoas saindo pela mudança de estratégia da companhia com profissionais que estão progredindo nas suas carreiras”, afirma Brognoli, destacando o caso de Guercio, que saiu da HPE para comandar uma área na Lenovo.

Segundo Brognoli, as modificações não indicam uma retração do atual negócio da HPE no país, uma vez que as posições, incluindo a de líder de vendas por parceiros e alianças da HPE no Brasil, não estão sendo eliminadas do organograma.

Brognoli, com quase 20 anos de HP e é um veterano da indústria no país, assumiu o cargo atual em abril do ano passado.

Não é segredo que a HPE está mudando muito nos últimos anos. A empresa vem enxugando suas operações, vendendo ou fazendo spin offs de uma série de áreas como serviços e software nos últimos meses.

O foco declarado da HPE é nas áreas de computação de alta performance, edge computing e nuvens híbridas, áreas com projetos mais sofisticados e tickets maiores, bem diferente do mercado de servidores, redes e armazenamento tradicionalmente disputado pela então HP.

O resultado é uma empresa muito mais enxuta (350 pessoas no Brasil, segundo fontes ouvidas pelo Baguete, frente a 5 mil dos tempos de HP), mas ainda assim enorme.

No último ano fiscal da HPE, encerrado em outubro, a empresa teve receitas de US$ 30,9 bilhões, uma alta de 7% frente aos resultados do ano anterior, com lucro de US$ 2 bilhões, cinco vezes mais.

Ao mesmo tempo em que sai de alguns mercados, a HPE também investe em compras nas suas áreas chave de armazenamento e redes, como por exemplo a Nimble Storage, na qual colocou US$ 1,2 bilhões, ou a Aruba, por US$ 3 bilhões.