Dados do Panama Papers foram roubados em um ataque ao servidor de e-mail. Foto: frank_peters/Shutterstock.

A divulgação de 11,5 milhões de documentos confidenciais do escritório de advocacia Mossack Fonseca, agora chamados de Panama Papers, começou com uma invasão no servidor de e-mail da organização.

Ramon Fonseca, co-fundador do escritório, apresentou uma queixa com o escritório do procurador-geral do Panamá afirmando que os 2.6 TB de dados acessados foram roubados por um ataque de hackers internacionais. 

Os documentos foram previamente passados ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung e depois chegaram ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). O grupo envolve 376 jornalistas de 109 veículos em 76 países.

Fonseca não considera a possibilidade de vazamento por parte da equipe da empresa. Ele afirmou que a violação no servidor de e-mail da Mossack Fonseca provavelmente ocorreu no ano passado.

No entanto, Justin Harvey, diretor de segurança da Fidelis Cybersecurity, não acredita que apenas o servidor de e-mail tenha sido violado, segundo o US News.

“Talvez o servidor de e-mail tenha sido o caminho de entrada para a empresa, mas não é possível conseguir milhões de documentos comprometendo somente essa área. O tamanho deste trabalho aponta para a ação de um membro do escritório”, afirma.

A Mossack Fonseca emprega cerca de 500 pessoas no Panamá e em franquias em todo o mundo. Especializada na gestão de capitais e de patrimônio, o escritório foi responsável pela fundação de cerca de 250 mil companhias em um período de 40 anos.

Os documentos vazados revelaram um sistema que permite que políticos e empresários escondam suas riquezas em paraísos fiscais. Os papéis afetaram figuras de destaque mundial como o presidente russo Vladimir Putin, o primeiro-ministro britânico David Cameron, o presidente chinês Xi Jinping e o presidente ucraniano Petro Poroshenko.

Também aparecem nos documentos nomes de brasileiros como o Presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o usineiro e ex-deputado federal João Lyra (PTB-AL) e o ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).